Mausoléu de Che Guevara, para onde foram levados os restos mortais do guerrilheiro em 1997(Santa Clara-Cuba) Um homem pode morrer mais de uma vez. Não há absurdo algum nisso. Foi assim com Che.
A primeira morte de Guevara veio de um inclemente disparo boliviano. Tiro esperado. Tiro certeiro. Disparo à queima roupa que fez do pequeno e esquecido município de "La Higuras" entrar para o mapa da Bolívia.
A segunda morte de Guevara sepultou a memória desse guerrilheiro argentino. E da segunda morte de Che, somos todos cúmplices. Assassinamos a memória de Che na medida em que lançamos sobre ele os fardos de herói ou de vilão. Esvaziamos Che de seu real significado na medida em que o coroamos com adjetivos extremos. Nunca nos permitimos pensar em Che como APENAS UM HOMEM. Para a esquerda,seria no mínimo insanidade não reverenciar Che Guevara como o maior exemplo de bravura revolucionária e como o maior expoente na luta contra a desigualdade no nosso continente . Para a direita, Che não poderia ser pensado senão como um ingênuo e inconsequente guerrilheiro ou mesmo como um lunático violento e sem escrúpulos, inimigo da ordem e avesso às autoridades instituídas.
Recobrimos Che com a mortalha do exageiro e do maniqueísmo. Che foi mais que herói ou vilão.Che foi angústia (como se pode provar em seus diários na Bolívia).Che foi vaidade.Foi também convicção, paixão, ceticismo e frieza. Che não foi mocinho, bem como também não foi vilão. Deixemos essas classificações para estórias em quadrinhos ou desenhos animados.
A melhor definição que ja lí sobre Che, foi a dele próprio. Em uma carta deixada aos filhos, Che Guevara afirma ser um homem "que atua como pensa". Isso já não basta?
Uma amiga cubana certa vez, contou-me uma história sobre Che que é bem familiar entre os cubanos. Pouco tempo após o triunfo da Revolução cubana, um adolescente de 14 anos de idade foi preso por furto. O novo e revolucionário governo vinha então se revelando implacável no combate à criminalidade. Pois bem, o jovem foi imediatamente condenado à execução no paredão de fuzilamento. Quando a mãe do adolescente recebeu a notícia da pena que seria aplicada ao filho, implorou uma conversa com Che Guevara (então, ministro do novo governo). Rogou a Che que perdoasse o filho e revogasse a pena de morte. A resposta de Che foi consoladora: a pena seria anulada. Qdo a senhora suplicante, chorosa mas já um pouco aliviada se retirou da presença de Che, este determinou que o adolescente fosse executado antecipadamente com relação a data agendada, para que assim, o suplício da mãe não se prolongasse.
A primeira morte de Guevara veio de um inclemente disparo boliviano. Tiro esperado. Tiro certeiro. Disparo à queima roupa que fez do pequeno e esquecido município de "La Higuras" entrar para o mapa da Bolívia.
A segunda morte de Guevara sepultou a memória desse guerrilheiro argentino. E da segunda morte de Che, somos todos cúmplices. Assassinamos a memória de Che na medida em que lançamos sobre ele os fardos de herói ou de vilão. Esvaziamos Che de seu real significado na medida em que o coroamos com adjetivos extremos. Nunca nos permitimos pensar em Che como APENAS UM HOMEM. Para a esquerda,seria no mínimo insanidade não reverenciar Che Guevara como o maior exemplo de bravura revolucionária e como o maior expoente na luta contra a desigualdade no nosso continente . Para a direita, Che não poderia ser pensado senão como um ingênuo e inconsequente guerrilheiro ou mesmo como um lunático violento e sem escrúpulos, inimigo da ordem e avesso às autoridades instituídas.
Recobrimos Che com a mortalha do exageiro e do maniqueísmo. Che foi mais que herói ou vilão.Che foi angústia (como se pode provar em seus diários na Bolívia).Che foi vaidade.Foi também convicção, paixão, ceticismo e frieza. Che não foi mocinho, bem como também não foi vilão. Deixemos essas classificações para estórias em quadrinhos ou desenhos animados.
A melhor definição que ja lí sobre Che, foi a dele próprio. Em uma carta deixada aos filhos, Che Guevara afirma ser um homem "que atua como pensa". Isso já não basta?
Uma amiga cubana certa vez, contou-me uma história sobre Che que é bem familiar entre os cubanos. Pouco tempo após o triunfo da Revolução cubana, um adolescente de 14 anos de idade foi preso por furto. O novo e revolucionário governo vinha então se revelando implacável no combate à criminalidade. Pois bem, o jovem foi imediatamente condenado à execução no paredão de fuzilamento. Quando a mãe do adolescente recebeu a notícia da pena que seria aplicada ao filho, implorou uma conversa com Che Guevara (então, ministro do novo governo). Rogou a Che que perdoasse o filho e revogasse a pena de morte. A resposta de Che foi consoladora: a pena seria anulada. Qdo a senhora suplicante, chorosa mas já um pouco aliviada se retirou da presença de Che, este determinou que o adolescente fosse executado antecipadamente com relação a data agendada, para que assim, o suplício da mãe não se prolongasse.
Essa atitude de Che nada tem de heróica aos olhos dos que prezam pelo direito a vida acima de tudo. Mas por outro lado, aos olhos dos correligionários de Fidel e Cinfuegos, a mesma atitude certamente se revela fundamental a um governo revolucionário que pretende se consolidar demonstrando força na condução de um novo regime.
Resumindo: Che certamente foi um homem que agiu segundo convicções e paixões. Mas nem todas as convicções e paixões de um homem são dignas de aplausos. Tampouco podem ser tão levianamente classificadas como heróicas ou perversas.
