quinta-feira, 29 de julho de 2010

Pára esse mundo que eu quero descer

Adoro essa canção do Raul:


Oh! Oh! Oh! Seu Moço
Do disco voador
Me leve com você
Pra onde você for
Oh! Oh! Oh! Seu Moço
Mas não me deixe aqui
Enquanto eu sei que tem
Tanta estrela por aí

(Disco voador-Raul Seixas)

domingo, 11 de julho de 2010

Um verdadeiro "saco de gatos"


Chico começou e George Orwell completou. Sei que a narrativa sobre a opressão da bicharada não ocorreu nessa mesma ordem. Mas é impressionante como é possível alinhavar as duas preciosas fábulas.
Nos Saltimbancos, Chico Buarque denunciou de maneira formidavelmente lúdica a opressão sofrida pela “Bicharia” que, enfim, de tão subjugada, transforma tudo em um “saco de gatos”:

Bicharia (Chico Buarque)

Au, au, au। Hi-ho hi-ho.

Miau, miau, miau। Cocorocó.
O animal é tão bacana
Mas também não é nenhum banana.
Au, au, au. Hi-ho hi-ho.
Miau, miau, miau. Cocorocó.
Quando a porca torce o rabo
Pode ser o diabo
E ora vejam só.
Au, au, au. Cocorocó.

Era uma vez
(E é ainda)
certo país
(E é ainda)
Onde os animais
Eram tratados como bestas
(São ainda, são ainda)
Tinha um barão
(Tem ainda)
Espertalhão
(Tem ainda)
Nunca trabalhava
E então achava a vida linda
(E acha ainda, e acha ainda)

Puxa, jumento
(Só puxava)
Choca galinha
(Só chocava)
Rápido, cachorro
Guarda a casa, corre e volta
(Só corria, só voltava).
Mas chega um dia
(Chega um dia)
Que o bicho chia
(Bicho chia)
Bota pra quebrar
E eu quero ver quem paga o pato
Pois vai ser um saco de gatos



Em “Revolução dos Bichos”, Orwell atesta que Chico estava certo: “Mas chega um dia / Que o bicho chia”। E aí então, a “Revolução” se inicia no celeiro. Orwell, em “Revolução dos Bichos”, dá voz e poder à bicharada. Os humanos são derrotados em um levante liderado pelos porcos da fazenda.

O lamentável é Orwell considerar que uma Revolução tão justa tenha sido decorrente de um devaneio. Em sua narrativa, Orwell considera que a idéia da revolução nasceu de um SONHO do velho Major- o porco.
Uma revolução que vislumbre a igualdade nunca é fruto de um devaneio, por mais que não se alcance, com ela, os resultados esperados. Não há nada mais racional do que almejar a igualdade. A disparidade, essa sim é irracional.

Mas discordar de trechos da fábula não me faz admirar menos "A Revolução dos Bichos". De maneira formidavelmente lúcida, Orwell "coloca o dedo na ferida" e descortina as contradições e insuficiências do socialismo real e do processo revolucinário russo.