
quarta-feira, 28 de maio de 2008
NÃO DEIXE DE ASSISTIR!

sexta-feira, 23 de maio de 2008
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Feriado Santo... Santo Paradoxo!

terça-feira, 20 de maio de 2008
ALTERIDADE

"A partir do momento em que me confiro o direito exclusivo de ter razão, usurpo uma função que compete à Divindade" (Mahatma Gandhi)
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Uma Alemanha sem suástica
Por esse motivo, os dias em que estive em Bamberg e Berlim foram dias de "bofetadas" de luvas... A idéia de passar um tempinho na Alemanha surgiu pelo fato de morar lá uma antiga colega de trabalho (brasileira) com quem pude me "hospedar". Devo confessar que fui receosa. "ALEMANHA" pra mim significava racismo, segregação, violência contra minorias, anti-semitismo... enfim: a Alemanha que eu esperava encontrar era aquela que estava em minha "MEMÓRIA" (memória tecida pelos livros de história).
Fiquei bastante surpreza ao constatar, ainda na estação de metrô de Nuremberg, que se não fosse a COOPERAÇÃO e até ESFORÇO por parte de alemães anônimos em nos ajudar, jamais chegaríamos ao endereço de destino. Não falo alemão e minha amiga também não. A Ivy recorreu ao inglês ("diga-se de passagem bem arrastado") para que conseguíssemos as informações necessárias. Estávamos completamente perdidas e a cada informação pacientemente fornecida caminhávamos um pouco. Creio que foram necessárias umas três abordagens: "Please, do you speak english?" . E assim, contando com a paciência desses germânicos da estação que até comunicação gestual usaram para nos auxiliar, chegamos ao destino.
terça-feira, 13 de maio de 2008

domingo, 11 de maio de 2008
SOBRE MÃES MILITANTES
Da mesa, participava uma senhora chamada CARMELA PEZZUTI (desculpem-me se errei a grafia do nome. Já faz tanto tempo...). Lembro-me um pouco da história contada por ela. Durante a ditadura, um filho (ou filha) de Carmela se engajou na luta armada contra os militares. E levantar armas contra a ditadura significava entrar pra clandestinidade. Significava não ter a certeza do "amanhã". Risco de morte à todo momento.
Carmela não hesitou: sem conseguir convencer o filho a deixar de lado aquela luta "vã", essa mãe decidiu estar perto do filho ainda que na CLANDESTINIDADE. Entrou também pra luta armada. Filho e mãe juntos na guerrilha! Quando ouvia Carmela falar, nada me convencia de que Carmela entrou pra guerrilha muito menos por convicção política do que por instinto de proteger o filho (se é que se pode proteger um filho da brutalidade da guerra). Mas mãe é assim: "estar perto" já basta quando todas as outras possibilidades de proteção se esgotam.
Deixo aqui então meu aplauso a CARMELA, essa mãe-guerrilheira de cuja história nunca vou me esquecer.
Bom, não poderia de deixar de reservar a postagem de hoje à essas mães que sendo CARMELAS ou não, são potencialmente GUERRILHEIRAS como a minha.
ANGÉLICA (Chico Buarque)
Quem é essa mulher
Que canta sempre esse estribilho?
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar
Quem é essa mulher
Que canta sempre esse lamento?
Só queria lembrar o tormento
Que fez meu filho suspirar
Quem é essa mulher
Que canta sempre o mesmo arranjo?
Só queria agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar
Quem é essa mulher
Que canta como dobra um sino?
Queria cantar por meu menino
Que ele já não pode mais cantar
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Sobre Henfil

Tomei conhecimento da existência desse fantástico cartunista num dia de ócio, daqueles em que você se dá o direito de simplesmente deslizar os dedos pelo controle remoto da TV sem a pretensão de encontrar algo de interessante. Foi então que em um dos canais, um jornalista de cujo nome nem me lembro, chamou minha atenção narrando com direito a toda dramaticidade imaginável, uma carta de Henfil (que transcrevi logo abaixo).
Uma carta simples e breve, como foi a vida de Henfil. Mas como foi gostoso "invadir" aquele espaço que devia ser só de Dona Maria e seu filho cartunista.
Naquela carta, endereçada à mãe e escrita em 1979, Henfil me fez experimentar por alguns instantes a dor solitária de um exilado. Dor daquele que perdeu o "agasalho" que é a pátria. Dor daquele que vive a solidão na forma mais cruel como esta pode se apresentar. Daquele que se encontra no desamparo de uma cela invisível.
Senti a dor de Henfil. Dor de não poder fazer coisas simples e cotidianas mas que se revelam fundamentais quando somos privados delas. Dor de não ir mais à padaria da esquina todos os dias de manhãzinha como sempre se fazia, dor de não poder estar na casa do amigo saboreando uma feijoada ou jogando truco, dor de não reclamar do trânsito congestionado ou da falta de gols do time predileto. Dor de não sentar á mesa com os pais e irmãos pra tomar um café, sendo o café, o pretexto para longos bate-papos. Dor de não assistir ao telejornal predileto, saudade de ouvir o idioma pátrio.
O exílio é, sem dúvida, uma cela sufocante sem direito à visita, onde a tortura da saudade é a única companheira fiel.
Henfil me conquistou na medida em que busquei outras cartas escritas por ele e da mesma forma endereçadas à mãe. A agressão do exílio não o silenciou. Gente assim, como Henfil, não devia ser tão rara.
Segue a carta de Henfil à Dona Maria:
São Paulo, 11 de abril de 1979.
Mãe,
Não suporto mais a saudade sufocante do meu irmão Betinho. Minha vida segue sem sentido e sem alegrias. Sai um disco do Chico e não consigo me entregar no canto que gostaria de partilhar com ele e com a Maria. O grito de gol fica preso no peito porque me sinto sozinho no Maracanã mais lotado.
Profissionalmente? Estou bem, muito bem. Mas eu queria que eles também se orgulhassem de mim ao receberem o jornal de manhãzinha na porta da casa deles, aqui, como todos. Faltam duas palmas, duas risadas brancas e quentinhas na hora em que as cartas são lidas ou as gracinhas são feitas na "Revista do Henfil".
Perdoa, mãe, mas biscoito de farinha só é gostoso se mastigado olhando nos olhos do irmão que sente na mesma hora a mesma delícia.
A bênção de um dos seus filhos,
Henfil