sexta-feira, 27 de novembro de 2009

"Fora Collor"


Cá pra nós: se "educar" foi o que a escola fez comigo, quero para os meus filhos uma escola de "deseducar". Quero uma escola que os faça duvidar, que os leve a querer transformar. Quero que sejam educados para que encontrem as incertezas desse mundo que se mostra tão pretenciosamente previsível.

Lembrei-me, ao ler uma reportagem sobre nosso incorruptível senador Fernando Collor, de quando a coisa ficou feia para o lado do então "caçador de marajás" em 1993. Naquela ocasião, eu cursava a sétima série no Colégio Batista, uma escola bem intencionada mas demasiadamente conservadora. Lembro-me de termos tomado conhecimento, certa manhã, de que muitos estudantes de Belo Horizonte haviam se deslocado para a Praça Sete para protestarem, de caras pintadas, contra as denúncias de corrupção envolvendo o presidente Collor e seu ex-tesoureiro de campanha, PC Farias. Planejamos então deixarmos a sala de aula para nos unirmos a jovens como nós que, em uníssono, gritavam "FORA COLLOR".

Pois bem: nossa expectativa se frustrou em poucos minutos. Da direção do Colégio chegou a informação de que não seríamos autorizados a cruzarmos os muros da escola para nos unirmos àquela fantástica manifestação cívica. E foi assim que nos privaram de vivenciarmos a "praxis" da cidadania. Foi assim que nos fizeram perder uma boa oportunidade de aprender sobre a "Res-pública". A escola nos privou da educação. Vá entender...

Logo em seguida aos minutos de descontentamento por parte dos alunos "detidos" em suas envelhecidas carteiras, tivemos aula de OSPB (Organização Social e Política do Brasil). Aprendemos sobre a importância de se valorizar os símbolos da pátria. E tivemos boas lições (teóricas) acerca de cidadania. Aprendemos o conceito de "cidadão". Mas a lição maior quem nos deu naquele dia foi o diretor: aprendemos que cidadania é coisa de livro. É coisa de se falar, mas não de se viver.
Hoje, quando em minhas aulas de história trato do conturbado governo Collor, sinto um misto de lamento e raiva. Lamento por não ter podido ter feito parte daquela importante página da história de maneira ativa. E raiva por ter sido vítima de um erro tão irreparável e grave por parte de um sistema educacional que foi incapaz de perceber que, naquele momento, a Praça Sete era muito mais "escola" do que qualquer outro espaço repleto de carteiras chamado de "escola".

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Igreja militante

As preparações de aulas e os trabalhos de faculdade dificultam nossos encontros e bate-papos. Mas as terças-feiras tornaram-se obrigatórias. Nos acompanham em um rápido almoço, temas como teologia (para ela, Deus. Para mim, Allah), cinema, cansaço diante do turbilhão de tarefas ligadas ao trabalho, novelas ou programas de TV, e é claro, HISTÓRIA.

E foi no almoço da semana passada que a Paulinha me trouxe um texto ultra plus master over fantástico sobre a relação entre a Teologia da Libertação e a Revolução Sanditista, na Nicarágua.

Li e reli o texto várias vezes. E a cada leitura, me encantava mais com a postura militante daqueles valorosos sacerdotes taxados pelas ditaduras latino-americanas como "padrecos comunistas".

Não sou cristã, mas tiro o chapéu pra "Teologia da Libertação". Compartilho da opinião de que a igreja possui SIM responsabilidade social. Mesmo porque, uma das "bem-aventuranças" versa muito claramente a esse respeito:

"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão sasciados".

Achei no texto gentilmente emprestado pela Paulinha uma consideração fantástica. É de Ernesto Cardenal, Ministro da Cultura do Governo Sandinista. Ele entende REVOLUÇÃO como:

"[...] amor. E entendemos por amor o amor ao próximo, ao nos preocuparmos com a alimentação adequada de todos, a melhoria de vida de toda a população, para que tenham uma vida digna, que haja serviço médico para todos, educação e cultura para todos, diversões, a assistência aos anciãos e às crianças.[...] Dizia também Camilo Torres que a revolução é uma tarefa cristã e sacerdotal, e assim o é para mim.[...]" (MORLINA, 2008,p.1)