sábado, 27 de março de 2010

Cordialidade

Detalhe: na placa do carro, lê-se: "Carro oficial"

Foi pesquisando para preparar o curso "Um olhar múltiplo e interpretativo sobre a fonte histórica", que cheguei a essa charge। E adorei. Ela me fez lembrar o bate papo que tive com o Flávio(meu primo) sobre "o homem cordial", classificação criada por Sérgio Buarque de Hollanda para se referir ao povo brasileiro.

"No Brasil, pode dizer-se que só excepcionalmente tivemos um sistema administrativo e um corpo de funcionários puramente dedicados a interesses objetivos e fundados nesses interesses. Ao contrário, é possível acompanhar, ao longo de nossa história, o predomínio constante das vontades particulares que encontram seu ambiente próprio em círculos fechados e pouco acessíveis a uma ordenação impessoal."
Holanda, Sérgio Buarque de। Raízes do Brasil.26 ed.São Paulo: Companhia das Letras,1995, p. 146.


Se eu entendi bem o que vem a ser o "patrimonialismo", inerente a trajetória histórica e cultural do nosso país, eu o vejo nessa charge.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Morte


Dia desses assisti a uma entrevista com o ator e diretor Paulo José. Com o mesmo semblante sereno que sempre teve, Paulo José contava ao entrevistador como recebeu o diagnóstico de ser portador do mal de Parkinson. O ator contou que a trágica notícia chegou até ele na sentença apocalíptica do neurologista:

- O mal de Parkinson é uma doença progressiva, degenerativa e irreversível.

A essa tríade aparentemente trágica, Paulo José respondeu com a doçura que só a sabedoria pode dar:

- Mas a VIDA é assim!

Não houve naquele instante lágrimas nem desespero. Não houve lamúrias e nem dramas. Houve compreensão e reflexão.

E é assim que eu acho que deve ser. A degeneração é a evidência de que somos seres viventes "normais". Não há nada trágico na enfermidade. Mesmo se para ela não há cura. Eu fico com o ditado dos antigos: "O que não tem remédio, remediado está".
Adoecer é triste. Não trágico. Adoecer não é absurdo. E morrer doente também não.

Trágico mesmo é a morte que vem embalada em um acidente automobilístico estúpido. E estúpida é a morte que vem em um tiro de revólver, ou em uma rajada metralhada em uma guerra. Isso sim é trágico. Porque não está na ordem natural da existência. Porque invade um ciclo impondo o fim de algo que ainda poderia continuar existindo.

Discordo de Vandré que cantou em compasso quaternário: "a morte, o destino tudo estava fora do lugar e eu vivo pra consertar". Existem mortes inconvenientes, e outras não. Outras vêm porque senão a vida atrofia. E assim, vira morte em vida.

Bão, acho que a modernidade e seus avanços nos trouxeram a pretensão da vida eterna. Não aceitamos mais a dor, a doença, nem o fim. Mesmo sendo esse fim, tão certo quanto ele sempre foi.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Chavez


Não bastasse ser acusado de dar apoio às FARCs, o presidente Venezuelano Hugo Chavez agora é réu em outro "julgamento" . Dessa vez, os tentáculos de Chavez se mostram mais cumpridos. Chegam ao outro lado do Atlântio. A Folha de São Paulo publicou hoje (dia 3/03/2010) que Chavez é suspeito de dar apoio ao grupo separatista ETA (que luta pela total soberania do povo basco).

Sabe o que penso? Chavez tem sido tratado pela mídia e por algumas diplomacias, como o satanás é tratado por algumas igrejas pentecostais. A culpa é sempre dele. É ele quem sempre faz e acontece. Ele tem muito poder. Cuidado com ele que ele te pega. Não durma no ponto. Em cada esquina há um Chavez na espreita.

Acho que nem Chavez tem ciência de muito do que se atribui a ele.