
Aos quinze anos de idade, quando cursava a oitava série no Colégio Batista, ouvi pela primeira vez a história de um homem que logo elegi meu herói. Adolescentes se apaixonam fácil. E foi assim que me apaixonei tão imatura e inocentemente por Fidel e pela Revolução cubana. A paixão foi tanta que eu chegava a imaginar como teria sido o anúncio, pelos jornais da época, daquele episódio.
FIDEL CASTRO RUZ, O JOVEM BACHAREL EM DIREITO, HERDEIRO DE UMA DAS MAIORES PROPRIEDADES AGRÁRIAS DE CUBA, ACABA DE TOMAR A CIDADE DE SANTIAGO, À FRENTE DE SEU "EXÉRCITO REBELDE". OS GUERRILHEIROS DE FIDEL LUTAM HÁ 3 ANOS NA REGIÃO DE SIERRA MAESTRA, ONDE SOFRERAM ATAQUES SISTEMÁTICOS DAS TROPAS OFICIAIS DE BATISTA. O JOVEM ADVOGADO DIZ LUTAR CONTRA A TIRANIA DE BATISTA E POR REFORMAS SOCIAIS EM CUBA QUE GARANTAM AOS CUBANOS CONDIÇÕES DIGNAS DE SOBREVIVÊNCIA. SEGUNDO FIDEL, A "REFORMA AGRÁRIA" SERÁ A URGÊNCIA DO NOVO GOVERNO. AINDA, CASTRO AFIRMA CATEGORICAMENTE QUE O NOVO GOVERNO SE JULGA NO DIREITO DE CONFISCAR PROPRIEDADES DE CAPITALISTAS ESTRANGEIROS NACIONALIZANDO-AS PARA O BEM COMUM DO POVO CUBANO.
Como romantizei essa história... Como idealizei combates, imaginei cenas, criei valentes guerrilheiros... Vivi a mais completa liberdade criando mentalmente personagens altivos e imbatíveis que não esmoreciam jamais. Moldei Fidel como eu quis. Eu o imaginei como gostaria que ele fosse. E como foi bom tudo isso...
Desde então fui escravizada pela idéia fixa de CONHECER A TERRA DE FIDEL. Só 11 anos depois o sonho se tornou possível. Com meus 26 anos, já não estava mais no tempo de "fabricar heróis" ou "romantizar revoluções". Mas ainda assim, transbordava ansiedade de todos os meus poros. Algo que só sonhos antigos podem explicar.
Lá estava diante de meus olhos o aeroporto JOSÉ MARTÍ, mais que justa homenagem àquele cujos ideais fomentaram a luta dos cubanos pela independência.
Cuba estava em mim. E sempre estará! Todas as vezes em que o enfado do cotidiano insiste em me abater, lembro-me, não de FIDEL-HERÓI. Lembro-me dos 11 milhões de heróis anônimos cubanos, particularmente de uns poucos que tive a oportunidade de conhecer e que trabalham e estudam muito sem lamúrias e com um sorriso contagiante nos lábios.
Cuba fez com que eu pudesse enchergar minha própria mediocridade.
Viviane Silva Gonzaga
29/04/2008