quinta-feira, 23 de abril de 2009

2009: ANO DA FRANÇA NO BRASIL - PARTE 1







Admiro a história da França. E admiro muitíssimo o pouco que pude conhecer da cultura francesa. Por essa razão, escolhi trabalhar, num curso que o departamento de história está oferecendo na instituição onde trabalho,com algumas obras do pintor Debret. E qual não foi minha surpreza ao assitirdia desses pela TV, momentos da abertura da cerimônia do ANO DA FRAÇA NO BRASIL...
Brasil e França já vinham esboçando uma maior aproximação cultural e comercial desde 2005, quando dezenas de eventos celebraram naquele país o ANO DO BRASIL NA FRANÇA.

As diplomacias dos respectivos países entendem que ambos possuem concepções bastante semelhantes quanto aos rumos da política externa mundial e ainda, guardam entre si considerável proximidade intelectual. A reciprocidade da admiração cultural que há entre Brasil e França também justificariam o evento, segundo as autoridades idealizadoras do projeto.

O ANO DA FRANÇA NO BRASIL vem ao encontro ainda dos interesses dos dois países em fortalecer seus laços de parceria comercial e econômica.

E já que o momento é propício, quero compartilhar com o leitor do blog um pouco do OLHAR de Debret sobre o Brasil, no século XIX.

Jean Baptiste Debret (1768-1848) , pintor formado na tradição neoclássica francesa, chegou ao Brasil em 1816, patrocinado pelo então Príncipe Regente de Portugal, D. João VI, que havia deixado Lisboa em 1808 diante da invasão de Napoleão àquele território.

No Brasil, Debret encontrou um ambiente bastante diferente daquele que havia deixado em sua terra natal. Quando ainda vivia na França, Debret se dedicava a pintura de quadros que exaltavam os magníficos feitos dos revolucionários franceses, bem como a bravura de guerriros dos tempos de Roma antiga ou Grécia antiga. Tratava-se de uma pintura cuja finalidade era construir uma visão heróica da história.

No Brasil, contudo, não havia uma realidade conturbada o suficiente para justificar a criação de quadros que exaltassem uma visão grandiosa da história. Por essa razão, Debret passou a voltar a sua atenção para o ambiente precário e pacífico do Rio de Janeiro, pintando as atividades às quais se dedicavam os escravos de ganho naquela cidade, as variadas formas de relações sociais encontradas, os costumes e tradições dos habitantes do Rio ou mesmo cenas de rua.

O acervo deixado por Debret durante seu tempo de permanência no Brasil traz em si uma considerável importância documental.
É uma boa ocasião, portanto,refletirmos sobre o olhar desse importante artista dos oitocentos sobre a realidade que encontrou nos trópicos.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Sobre escolhas "acertadas" e outras "nem tanto"...

Sempre odiei a hierarquização de saberes porque ainda bem jovem, ao escolher a minha profissão, sofri na pele o desprezo de muitos pela minha escolha. Quando me perguntavam para qual curso eu prestaria o vestibular e ouviam a minha orgulhosa resposta: " - História!", olhavam-me com ar de incompreensão. Como se meu orgulho não tivesse razão de existir. E como se a minha escolha tivesse um "quê" de insanidade ou irresponsabilidade.

Diferentemente reagiriam se eu lhes disesse que tentaria MEDICINA, DIREITO ou ENGENHARIA. São cursos que foram DOUTORES aptos a serem bajulados e respeitados pela sociedade. São cursos que, embora aquele que se graduou na área seja um medíocre infeliz, ele poderá ainda assim bater no peito com orgulho e dizer com olhar altivo: sou médico. Como se o "ser médico", o "ser advogado" ou o "ser engenheiro" dispensasse adjetivos.

Abaixo, uma linda poesia sertaneja da qual me lembrei ao escrever esse post.




http://www.compadrelemos.com/audio.php?cod=12668

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Tudo cansa: até o que é GOSPEL cansa!


O mundo "gospel" ultimamente tem me dado tanta preguiça! Algumas pregações de determinados pastores têm chegado aos meus ouvidos como sendo tão cínicas. Aquela repetição interminável de progressões de acordes previsíveis de algumas bandinhas do mundo gospel tem me causado tanto nojo.



Acho que eu me cansei da igreja (e me refiro à igreja PROTESTANTE). E eu me cansei dela por um motivo muito simples: Tudo o que é MODA enjoa. E a igreja se tornou MODA.


domingo, 29 de março de 2009

Como é o céu?

Bruno, Paulinha e Lucas (Ouro Preto)



Falamos sobre a morte por duas vezes. Na segunda delas, assistíamos ao filme "Quando Nietche chorou" e diante do olhar de reprovação do Bruno, interrompi uma cena importante pra dizer que eu estava de acordo com a concepção de CÉU apresentada naquele longa.

Ele concordou comigo que o céu realmente devia ser particular; que existem tantos céus quantos sonhos e desejos humanos diferentes. Foi então que ousamos "aprofundar" nossa conversa. Eu disse como gostaria que fosse o MEU céu e ele, como gostaria que fosse o DELE: muita cerveja, uma grande TV com jogo do Galo 24 hs por dia, uma piscina bem grande debaixo de um céu bem limpo e algumas bandas de rock à disposição de seus ouvidos exigentes.



Foi assim, dessa maneira tão despretenciosa e descontraída que falamos de algo tão grave.

O término do nosso noivado aconteceu 2 meses após essa conversa. Nos tornávamos a partir de então, AMIGOS. Só.

E qual não foi meu espanto ao receber a notícia de que ele havia perdido o controle da direção do carro em que estava? Não houve tempo pra expectativas positivas. A morte foi instantânea e ainda tínhamos tanto a conversar...

No dia seguinte ao velório, chovia muito à noite e só o que eu queria, era ir ao cemítério e arrancá-lo de onde ele havia sido enterrado. Eu não suportava a dor de imaginá-lo só debaixo de uma tempestade tão angustiante. Muito embora eu tivesse a certeza de que a essência de quem ele foi já não estava mais ali, eu queria me entregar à insanidade de desenterrá-lo e abraçá-lo e dizer que eu estava ali e que ele não precisava temer nada.

Em meio a essa angústia tão insistente e atrevida, lembrei-me do "CÉU" que ele criou pra si quando assistíamos "Quando Nietche chorou". Um céu com bastante cerveja gelada, jogo do galo todo o tempo e uma piscina bem gostosa. Quero imaginar que ele esteja agora vendo o galo fazer muitos gols. E que no intervalo do primeiro para o segundo tempo, ele dê um mergulho caprichado numa piscina bem grande. Quero imaginá-lo transbordando de alegria num lugar assim, que ele decidiu um dia chamar de CÉU.

Segue abaixo o lindo texto de homenagem carinhosamente feito pela Taty e lido na Missa de Sétimo dia:

Pessoas entram na sua vida por uma razão, durante uma estação ou uma vida inteira sempre deixando marcas importantes. Estamos todos aqui hoje por causa do nosso amigo Bruno, que entrou em nossas vidas por alguma razão que transcende nossa ínfima capacidade de analisar as tortuosas e tempestivas vias desse mundo. Durante 28 anos Bruno, foi filho, irmão e amigo marcando de maneira definitiva nossas vidas.
Comecemos pelo Bruno “filho” que no dia 25 de setembro de 1980 veio ao mundo para trazer alegria aos seus pais e parentes. Aquela criança encantada e iluminada por Deus receberia o nome de Bruno César Santos Vale e com o passar dos anos foi transmitindo paz e amor àqueles que de alguma forma necessitavam de carinho, força espiritual, emocional ou até mesmo física. A ternura e o amor sempre fluíram de maneira recíproca entre Bruno e sua família e o que mais marcou e simbolizou esta relação de amor não foram os simples momentos de alegria, mas os momentos difíceis; foram noites e noites de dedicação, carinho e preocupação de sua mãe e seus familiares, cuidando e lutando contra os problemas de saúde do pequenino Bruno que cresceria forte e saudável.
Então a criança cresceu e o Bruno “irmão” com seu jeitinho marrento de ser, sempre discutindo com suas irmãs e fazendo aquelas birrinhas normais de criança quando querem alguma coisa; acho que assim todos nós aqui fomos um dia neh?! E ele estava lá, crescendo, se tornando cada vez mais teimoso, turrão, prestativo e amoroso, ocupando seu papel na família, dando orgulho e espalhando e retribuindo todo o amor dedicado incondicionalmente ao longo de sua formação.
Ahhh agora vem o mais hilário e importante dos vários Brunos, o Bruno “amigo”, pois sabemos que amigos a gente não compra, a gente vai conquistando aos poucos cada amigo com nosso jeito de ser. Hoje podemos ver quanta amizade esse nosso Bruno fez ao longo de sua jornada. Ele estava sempre presente quando algum amigo precisava de consolo ou até mesmo quando um amigo fazia algo de errado; foram inúmeras as vezes que ele deve ter dado um puxão de orelha em algum de nós aqui ou até mesmo soltado aquele famoso “só pode neh?!” diante de alguma burrada nossa ou até mesmo pra não perder a oportunidade de nos zuar.
Mas o Bruno “amigo” que nos dava apoio e estava sempre do nosso lado, mesmo que em muitas ocasiões se mostrasse forte, também precisava de atenção e carinho. E foi em um belo dia que o vi chorar como uma criança por causa de um amor perdido, que percebi o quão doce e verdadeiro era aquele nosso grande amigo turrão. É, até as pessoas mais fortes necessitam de um colo, e era nesse momento que conhecíamos o Bruno “namorado ou até mesmo noivo”, sempre dedicado e ciumento com aquelas que estavam ao seu lado, preocupando-se até mesmo com o tamanho de suas roupas; o que em inúmeras ocasiões fez suas namoradas até mesmo trocarem o modelito.
Nosso bruno tinha sempre razão e ficava estressado e nervoso quando alguém contrariava as suas opiniões.....Soltava aquele clássico “Menino, eu sei do que eu to falando, você quer que eu te prove?!” e mesmo você provando que ele estava errado, ele nunca aceitava seu erro. Mas não era sua tão distinta teimosia que o fazia especial, mas sim seu humor e alegria que sempre cativaram quem estivesse ao seu lado. Ele sempre tinha uma piadinha na ponta da língua, seja qual fosse a ocasião; não há aqui quem nunca tenha sido pego por essas piadas ou ganhado algum apelido carinhoso.Não podemos esquecer das suas risadas únicas e inesquecíveis que faziam todos chorarem, mesmo em alguns casos sem motivo algum. Meu Deus quantas saudades!!!
É meus amigos estamos aqui hoje com nossos corações cheios de lembranças unidos pelo amor que sentíamos pelo nosso Bruno, seja ele o Bruno filho, irmão, amigo ou namorado. Nesse momento só temos a agradecer pelos seus ouvidos sempre disponíveis, mesmo quando só tínhamos besteiras a dizer, pela sua mão amiga e pela sua cumplicidade durante longos anos, pois muitos que hoje aqui se encontram compartilham da sua companhia desde a infância e nela cresceram como pessoas melhores.
Obrigado por ter sido um amigo fiel e um filho dedicado. Obrigado até mesmo pelas implicâncias que nos faziam refletir e pelas verdades que muitas vezes fingíamos não conhecer.
A razão pela qual você entrou em nossas vidas é desconhecida, e infelizmente você já cumpriu o seu dever e teve que partir, mas sabemos hoje que nossas necessidades e desejos foram atendidos. O seu trabalho nesse mundo foi concluído, mas ainda assim sentimos um gosto de quero mais. Não sabíamos que iria doer tanto, mas hoje Deus está com você e você está num lugar bem melhor.
Você se foi cedo demais, e ficamos aqui nos perguntando “Porque será que os bons morrem jovens?! ”É difícil dizer ADEUS, mas todos que hoje aqui se encontram estão orando por você e de alguma forma nossas preces serão atendidas. Despedimos-nos aqui com um singelo “até breve ou um até qualquer dia”, pois vamos nos encontrar um dia e com certeza numa bem melhor!

ADEUS MEU AMIGO, NÓS AMAMOS VOCÊ!


sábado, 14 de março de 2009

COMPARTILHANDO


Passei quase todo o sábado preparando material de "fontes primárias" para o pré-vestibular onde trabalho.
E nessa minha empreitada, encontrei uma fonte que me emocionou . É a carta de Kato aos pais.
Kato foi um piloto kamikaze japonês. Ele foi um dos inúmeros jovens do Japão a aceitar o desafio de uma morte honrosa atacando edificações estadunidenses no Pacífico.

Eis um trecho da carta de Kato:

"Papai, mamãe, me desculpem por ser um filho ingrato.
Não há pior desgraça do que um filho morrer antes dos pais,
isso foge à ordem natural das coisas.
No meu silêncio já refleti muito sobre o sentido e a finalidade desta guerra.
Mas estar aí, junto a vocês, seria uma grande humilhação...
...Conforta-me aquele velho ditado japonês:
'A morte é mais leve que uma pluma.
A responsabilidade de viver é tão pesadaquanto uma montanha".

Adeus,

Kato

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

INDIGNAÇÃO!


Querido leitor,

Aqueles que me conhecem suficientemente sabem que sempre defendi o afastamento entre RELIGIÃO e CIÊNCIA, ou entre RELIGIÃO e CONHECIMENTO ACADÊMICO. Os religiosos fanáticos que me perdoem mas é assim que penso.

Comecei a formar minha opinião a esse respeito quando, em 1999, entrei para o curso de História na Universidade Federal de Minas Gerais. Foi na universidade e contando com as demoradas e pacientes discussões com alguns professores (inclusive o professor Marco Antônio - um dos maiores medievalistas do país, e que hoje não está mais entre nós) que percebi que NÃO ERA POSSÍVEL buscar no conhecimento histórico matéria prima para a minha fé (eu sou cristã).

Percebi que teria de fazer então um enorme exercício para CRER nas Sagradas Escrituras SEM CONTUDO pretender encontrar registros históricos concretos que validassem os textos sagrados. Encontrei uma saída simples e coerente: se a fé, segundo o próprio texto bíblico, é a convicção daquilo que não se vê, optei por continuar com a minha fé. Mas preservei o conhecimento histórico-acadêmico num local separado e protegido da minha mente, sem sacrificá-lo em prol da minha escolha religiosa e sem subordiná-lo à minha crença.

Foi assim que lidei com o implacável dilema que muitos outros cristãos que ingressam no curso de História devem enfrentar. E permito-me ainda hoje ser duas VivianeS: a Viviane-cristã e a Viviane-historiadora.

Foi com base em incansáveis relfexões, leituras e discussões tanto com respeitados professores de História da Universidade quanto com dignos teólogos que concluí, caro leitor, que FÉ RELIGIOSA e CONHECIMENTO HISTÓRICO não podem se fundir. Do contrário, o árduo trabalho criterioso do historiador se torna CATIVO de uma religiosidade fanática e opressora.

E vejam só qual não foi minha surpresa quando me deparei, dia desses, com esse texto em um blog :

"Temos ainda o Império Romano que por ter sido um tempo de trevas e morte na face da terra, por ter subjugado outros povos está associado ao monstro de dentes de ferro e sete chifres, sendo portanto as pernas de ferro da estatua de Nabucodonosor.

Na interpretação do sonho de Nabucodonosor Daniel revela que os dedos dos pés da estatua eram metade de ferro e metade de barro o que dizia que em parte os reinos seriam fortes e por outro lado seriam fracos já que barro e ferro não se misturam e não podem ter liga. E que seria justamente neste tempo que surgiria um reino que não teria fim. Ainda no sonho uma pedra veio do céu e caiu em cima dos pés da estatua e a despedaçou, o vento levou embora toda a estatua em ruínas e no lugar a pedra cresceu e se tornou uma grande montanha que cobriu o mundo inteiro.

Hoje o Conselho de Segurança da ONU é formado por 5 países membros permanentes que tem o poder de voto e veto sobre começar ou terminar uma guerra, e existem propostas de ampliação deste conselho para 10 países como membros permanentes, o que para mim seriam justamente os últimos 10 reinos representado pelos pés de ferro e barro da estatua de Nabucodonosor".



Confesso a vocês que lamentei profundamente cada linha desse texto escrito de maneira tão leviana. Receio que esse tipo de reflexão que alicerçou o texto acima seja uma violência contra o pensamento histórico. O conhecimento histórico merece AUTONOMIA com relação à religiosidade.

Conclamo a todos os leitores que cordial e pacientemente chegaram ao final deste meu post, que se dignem ignorar toda e qualquer mensagem que ofenda tanto o saber histórico (como esta que transcrevi).

domingo, 4 de janeiro de 2009

INVEJA

Não sei se já aconteceu com você, mas por diversas vezes me peguei invejando implacavel e covardemente alguns gênios. Foi o que me aconteceu, por exemplo, quando ouvi nessa semana "Com açúcar, com afeto".

COM AÇÚCAR, COM AFETO
(Chico Buarque)

Com açúcar, com afeto, fiz seu doce predileto
Pra você parar em casa, qual o quê
Com seu terno mais bonito, você sai, não acredito
Quando diz que não se atrasa
Você diz que é operário, sai em busca do salário
Pra poder me sustentar, qual o quê
No caminho da oficina, há um bar em cada esquina
Pra você comemorar, sei lá o quê
Sei que alguém vai sentar junto, você vai puxar assunto
Discutindo futebol
E ficar olhando as saias de quem vive pelas praias
Coloridas pelo sol
Vem a noite e mais um copo, sei que alegre ma non troppo
Você vai querer cantar
Na caixinha um novo amigo vai bater um samba antigo
Pra você rememorar
Quando a noite enfim lhe cansa, você vem feito criança
Pra chorar o meu perdão, qual o quê
Diz pra eu não ficar sentida, diz que vai mudar de vida
Pra agradar meu coração
E ao lhe ver assim cansado, maltrapilho e maltratado
Como vou me aborrecer, qual o quê
Logo vou esquentar seu prato, dou um beijo em seu retrato
E abro meus braços pra você