

Admiro a história da França. E admiro muitíssimo o pouco que pude conhecer da cultura francesa. Por essa razão, escolhi trabalhar, num curso que o departamento de história está oferecendo na instituição onde trabalho,com algumas obras do pintor Debret. E qual não foi minha surpreza ao assitirdia desses pela TV, momentos da abertura da cerimônia do ANO DA FRAÇA NO BRASIL...
Brasil e França já vinham esboçando uma maior aproximação cultural e comercial desde 2005, quando dezenas de eventos celebraram naquele país o ANO DO BRASIL NA FRANÇA.
As diplomacias dos respectivos países entendem que ambos possuem concepções bastante semelhantes quanto aos rumos da política externa mundial e ainda, guardam entre si considerável proximidade intelectual. A reciprocidade da admiração cultural que há entre Brasil e França também justificariam o evento, segundo as autoridades idealizadoras do projeto.
O ANO DA FRANÇA NO BRASIL vem ao encontro ainda dos interesses dos dois países em fortalecer seus laços de parceria comercial e econômica.
E já que o momento é propício, quero compartilhar com o leitor do blog um pouco do OLHAR de Debret sobre o Brasil, no século XIX.
Jean Baptiste Debret (1768-1848) , pintor formado na tradição neoclássica francesa, chegou ao Brasil em 1816, patrocinado pelo então Príncipe Regente de Portugal, D. João VI, que havia deixado Lisboa em 1808 diante da invasão de Napoleão àquele território.
No Brasil, Debret encontrou um ambiente bastante diferente daquele que havia deixado em sua terra natal. Quando ainda vivia na França, Debret se dedicava a pintura de quadros que exaltavam os magníficos feitos dos revolucionários franceses, bem como a bravura de guerriros dos tempos de Roma antiga ou Grécia antiga. Tratava-se de uma pintura cuja finalidade era construir uma visão heróica da história.
No Brasil, contudo, não havia uma realidade conturbada o suficiente para justificar a criação de quadros que exaltassem uma visão grandiosa da história. Por essa razão, Debret passou a voltar a sua atenção para o ambiente precário e pacífico do Rio de Janeiro, pintando as atividades às quais se dedicavam os escravos de ganho naquela cidade, as variadas formas de relações sociais encontradas, os costumes e tradições dos habitantes do Rio ou mesmo cenas de rua.
O acervo deixado por Debret durante seu tempo de permanência no Brasil traz em si uma considerável importância documental.
É uma boa ocasião, portanto,refletirmos sobre o olhar desse importante artista dos oitocentos sobre a realidade que encontrou nos trópicos.


