
Quando me preparava para o Vestibular, enfrentei a tenebrosa e impiedosa dúvida quanto ao curso a ser escolhido. Minha dúvida era entre os cursos de HISTÓRIA e DIREITO. E essa dúvida aparentemente tão simples durou até 10 minutos antes de o prazo final para as inscrições terminasse.
Lembro-me como se fosse hoje de quando telefonei para meu primo (já estudante de História na UFMG) pedindo-o desesperadamente que me falasse um pouco a respeito do curso e da profissão do historiador. E lembro-me de que muitos minutos foram gastos naquela paciente e esclarecedora conversa. Desliguei o telefone mais encorajada a enfrentar os possíveis olhares de recriminação de todos e mergulhar de cabeça naquele antigo mas até então reprimido sonho: ESTUDAR HISTÓRIA.
E quer saber??? Nunca me arrependi do que fiz. Quando começei a minha graduação, meu primo ainda estava terminando a dele. E com frequência, ele vinha prestigiar o almoço da minha mãe. Batíamos longos papos e foi então que fui desafiada pelo Flávio a ler Sérgio Buarque e conhecer melhor o que aquele autor chamava de "homem cordial". Creio que "A morte é uma festa" eu também li por indicação do Flávio.
Lembro-me das incansáveis queixas que compartilhava com o Flávio no início da minha graduação. Muitos dos meus professores davam início à ministração das suas disciplinas partindo do pressuposto de que nós, discentes, já CONHECÍAMOS muitos dos autores por eles citados e das circunstâncias por eles mencionadas. Eu me via então perdida como acontece com quase todo mundo em início de graduação. E foi o Flávio quem me aconselhou a "correr atrás" e não ter vergonha de me debruçar sobre livros introdutórios usando-os como leituras auxiliares. E não é que deu super certo?
Enfim, se escolhi em 1999 cursar história ( e nunca me arrependi disso), muito devo ao meu primo que, bem diferentemente de mim, seguiu uma trajetória mais acadêmica (brilhante, diga-se de passagem), enquanto eu me aventurei a passar longas e incansáveis horas lecionando em Pré-Vestibular ou ensino fundamental.
Por conhecer muito bem a brilhante trajetória do Flávio e por ter tido o privilégio de ler um excelente artigo por ele escrito que resume a tese por ele desenvolvida, é que recomendo uma "visitinha" ao Café da Livraria Travessa neste dia 16/08. Eu estarei orgulhosamente por lá prestigiando o lançamento do livro "Subsistência e poder". Não porque o Flávio é meu primo: mas porque ele de fato é FERA! Confira e então verá que eu não minto!
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