
Dia desses assisti a uma entrevista com o ator e diretor Paulo José. Com o mesmo semblante sereno que sempre teve, Paulo José contava ao entrevistador como recebeu o diagnóstico de ser portador do mal de Parkinson. O ator contou que a trágica notícia chegou até ele na sentença apocalíptica do neurologista:
- O mal de Parkinson é uma doença progressiva, degenerativa e irreversível.
A essa tríade aparentemente trágica, Paulo José respondeu com a doçura que só a sabedoria pode dar:
- Mas a VIDA é assim!
Não houve naquele instante lágrimas nem desespero. Não houve lamúrias e nem dramas. Houve compreensão e reflexão.
E é assim que eu acho que deve ser. A degeneração é a evidência de que somos seres viventes "normais". Não há nada trágico na enfermidade. Mesmo se para ela não há cura. Eu fico com o ditado dos antigos: "O que não tem remédio, remediado está".
Adoecer é triste. Não trágico. Adoecer não é absurdo. E morrer doente também não.
Trágico mesmo é a morte que vem embalada em um acidente automobilístico estúpido. E estúpida é a morte que vem em um tiro de revólver, ou em uma rajada metralhada em uma guerra. Isso sim é trágico. Porque não está na ordem natural da existência. Porque invade um ciclo impondo o fim de algo que ainda poderia continuar existindo.
Discordo de Vandré que cantou em compasso quaternário: "a morte, o destino tudo estava fora do lugar e eu vivo pra consertar". Existem mortes inconvenientes, e outras não. Outras vêm porque senão a vida atrofia. E assim, vira morte em vida.
Bão, acho que a modernidade e seus avanços nos trouxeram a pretensão da vida eterna. Não aceitamos mais a dor, a doença, nem o fim. Mesmo sendo esse fim, tão certo quanto ele sempre foi.
- O mal de Parkinson é uma doença progressiva, degenerativa e irreversível.
A essa tríade aparentemente trágica, Paulo José respondeu com a doçura que só a sabedoria pode dar:
- Mas a VIDA é assim!
Não houve naquele instante lágrimas nem desespero. Não houve lamúrias e nem dramas. Houve compreensão e reflexão.
E é assim que eu acho que deve ser. A degeneração é a evidência de que somos seres viventes "normais". Não há nada trágico na enfermidade. Mesmo se para ela não há cura. Eu fico com o ditado dos antigos: "O que não tem remédio, remediado está".
Adoecer é triste. Não trágico. Adoecer não é absurdo. E morrer doente também não.
Trágico mesmo é a morte que vem embalada em um acidente automobilístico estúpido. E estúpida é a morte que vem em um tiro de revólver, ou em uma rajada metralhada em uma guerra. Isso sim é trágico. Porque não está na ordem natural da existência. Porque invade um ciclo impondo o fim de algo que ainda poderia continuar existindo.
Discordo de Vandré que cantou em compasso quaternário: "a morte, o destino tudo estava fora do lugar e eu vivo pra consertar". Existem mortes inconvenientes, e outras não. Outras vêm porque senão a vida atrofia. E assim, vira morte em vida.
Bão, acho que a modernidade e seus avanços nos trouxeram a pretensão da vida eterna. Não aceitamos mais a dor, a doença, nem o fim. Mesmo sendo esse fim, tão certo quanto ele sempre foi.
Quem dera se todos conseguissem ver a morte dessa forma! Seria bem menos doloroso! Paulo José realmente foi muito sábio em sua resposta, pois não há nada mais progressivo, degenerativo e irreversível do que a prorpia vida! E você teve uma sensibilidade muito grande em compreender o que ele disse nessa pequena frase, em meio a mil outras palavras ditas nessa entrevista!
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