quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

OS 50 ANOS DA REVOLUÇÃO CUBANA

Agora já são 50 anos!
Quartel Moncada - onde tudo começou. (Santiago de Cuba)

Estrada central de Cuba



Andando de Riquixá em Havana




Minha irmã no cemitério onde foi enterrado Imbrahin Ferrer (gênio da velha guarda de compositores cubanos)




Tanque usado pelos revolucionários e localizado na entrada do Museu da Revolução




No dia 1 de janeiro o Estado cubano estará em festa. A revolução cubana completará 50 anos.

No dia 1 de janeiro de 1959, o ditador cubano Fulgêncio Batista declarava sua renúncia e fugia do país, rumo à República Dominicana. A fuga de Batista representava então o sucesso da revolução encabeçada por Fidel Castro.

No dia seguinte (2/01/1959), Guevara e Camilo Cinfuegos chegam com seus respectivos destacamentos à cidade de Havana. A Revolução triunfava.
Naquele segundo dia de janeiro Fidel Castro comandava os destacamentos que agiam em Santiago (extremo oriente da ilha), tendo chegado a capital cubana (Havana) apenas alguns dias depois (8/01).

Longe de ter sido uma revolução SOCIALISTA (o Estado cubano só se declara socialista em 1961), a revolução cubana me incanta por seu caráter de defesa insistente da SOBERANIA do povo cubano. Após o triunfo revolucionário, Cuba passa a pertencer, de fato, aos CUBANOS.

Confesso que eu pagaria pra ver os gringos (muitos dos quais milhonários mafiosos) batendo em retirada. Pagaria pra ver as mansões de estadunidenses em Miramar se transformando em clubes populares para os trabalhadores cubanos. Pagaria pra ver as placas da Texaco, Esso, etc, sendo retiradas diante dos aplausos entusiasmados dos cubanos.
Eu pagaria pra ver a invasão da massa cubana às praias antes só permitidas a turistas.


Bom, não pretendo nesso post elencar as conquistas sociais que a revolução cubana trouxe consigo, mesmo porque eu já as elenquei no post em que falo de Fidel Castro. Pretendo apenas lembrar que diante de tantos boicotes internacionais, diante de tantas sabotagens por parte do governo estadunidense, o regime socialista cubano ainda RESISTE.

E apesar dos 638 atentados ao longo desses 50 anos, FIDEL CASTRO está "vivinho da Silva".

Conforme repetem sempe os cubanos em todas as comemorações cívicas do país:
VIVA CUBA! VIVA!
VIVA FIDEL! VIVA!
PÁTRIA OU MORTE! VENCEREMOS!













domingo, 16 de novembro de 2008

EDUCAÇÃO UTILITÁRIA

Eu ainda vou aprender a tocar ESTE violão. Hehehe... (Museu de instrumentos musicais-Bolívia)



"Somos educados para o trabalho, mas não para o ócio".
Essa foi a reflexão suscitada em mim através de uma conversa que tive com o Hugo. O Hugo trabalhou comigo e com os outros 5 professores durante uma palestra sobre o ano de 1968. Ele é um violonista de mão cheia e com suas canções, tornou a nossa palestra mais rica e agradável.

Após o fim do evento, o Hugo me contou que trabalhava em uma escola com alunos do ensino fundamental. Começamos a conversar então sobre a "mancada" de se ter retirado a música do currículo das escolas.

Chegamos então àquela velha e repetida conclusão: OS EDUCADORES NÃO SABEM DAR À MÚSICA OU ÀS ARTES, DE FORMA GERAL, A IMPORTÂNCIA QUE ESSAS ESFERAS DO CONHECIMENTO MERECEM.
O educando pode até ter MÚSICA em seu currículo, mas apenas nas séries iniciais de sua vida estudantil. Quando chega a quinta série, é hora de TIRAR A MÚSICA pra que sobre tempo para assuntos que SÃO COBRADOS NO VESTIBULAR.
Encaramos a educação como algo puramente UTILITÁRIO. Estudamos PARA o vestibular. Estudamos PARA que as notas sejam boas, PARA que o sucesso acadêmico se transforme em um belo emprego.
E onde fica o PRAZER que o estudo pode proporcionar? Será que o estudo da música deve sempre SERVIR para que o estudante se torne um músico profissional? Por que o estudo de um instrumento não pode acontecer para que a execução daquele instrumento dê prazer ao instrumentista?
Chegamos assim à brilhante reflexão do Hugo:
"Somos educados para o trabalho, mas não para o ócio".

sábado, 8 de novembro de 2008

...

Praça da Revolução (Havana) - Julho de 2006

"O conhecimento nos torna responsáveis" (Che Guevara)

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A EUFORIA DE 1988


Eu possuía 9 anos de idade quando a programação da TV foi interrompida para transmitir algo que parecia ser muito importante: em meio a muitos homens engravatados reunidos em Assembléia, um senhor velhinho de olhar terno e consideravelmente feliz erguia um pequenino livro diante dos aplausos entusiasmados dos "engravatados" que o reverenciavam com orgulho.

Eu não sabia o que estava acontecendo. Minha mãe, atarefada e impaciente, explicou-me apensa que "era a Constituição" que havia ficado pronta. Eu não sabia o que era CONSTITUIÇÃO. Apenas deduzi que devia ser algo legal pois todos os personagens ali presentes sorriam com grande euforia.

Nossa primeira constituição democrática após 24 anos de ditadura completa 20 aninhos neste 2008. Fico pensando o quão bom seria se todos os brasileiros a conhecessem DE FATO e se todos fôssemos combativos o suficiente para EXIGIR que os princípios constitucionais fossem cumpridos no nosso país.
Nossa constituição estabelece a liberdade de imprensa. Mas é nítido que a grande imprensa de Minas foi absolutamente COMPRADA pelo governador Aécio Neves. Deputados estaduais de OPOSIÇÃO ao governo do estado só conseguem denunciar atitudes do nosso governador quando falam AO VIVO na TV ASSEMBLÉIA. Nenhum artigo de opinião que critique ações políticas de Aécio é veiculada. ISSO É LIBERDADE DE IMPRENSA?

Nossa constituição condena a prática da tortura considerando-a um crime inafiançável. Faça uma experiência: vá a uma delegacia e peça fotos tiradas de detentos logo após a prisão. Você verá homens de rostos esfacelados.

Nossa constituição estabelece o princípio da laicisação do Estado (Estado sem filiação religiosa). Mas até hoje, a religião dita regras na nossa sociedade civil. Continuamos tendo feriados religiosos e tendo também espaços públicos do nosso país (como praças, por exemplo), usados para espetáculos de igrejas. Que laicisação é esta?

Nossa constituição estabelece a IGUALDADE CIVIL. Mas por outro lado, o SISTEMA DE COTAS para negros nas universidades públicas alimenta ainda mais a segregação em nosso país.

Nossa constituição estabelece a LIBERDADE SINDICAL. Mas qual tem sido o papel dos sindicatos no nosso país hoje? O sindicato dos professores da rede estadual de Minas, por exemplo, tem sido combativo o suficiente pra conquistar melhorias para essa categoria? O que mais temos são líderes sindicalistas corrompidos que nada fazem pela categoria que lideram.

Ainda temos muito a fazer, não é verdade? Ainda temos muito a conquistar.

Os "homens engravatados" de olhares entusiasmados que me desculpem, mas ainda hoje, 20 anos após a emblemática aparição de Ulysses erguendo a nossa constituição, ainda não temos muito o que comemorar não.


terça-feira, 21 de outubro de 2008

ALUNOS!!!

A aula de Brasil colonial está no e-mail que criei justamente para anexá-la, ok?

O e-mail é: viviansilva51@yahoo.com.br
A senha é: vivafidel
Abraços!

Viviane

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Cusco

A "pedra dos doze ângulos" (edificação Inca)
Mercado central de Cusco






Com o guia-mirim "Carlos" que nos apresentou a "Pedra dos doze ângulos"



Na noite em que chegamos a Cusco, decidimos "reconhecer o território" dando uma voltinha a pé na região central da cidade erguida pelos Incas. Qual não foi então minha surpreza quando, ao passar em frente à Catedral central da cidade, fui abordada por um garoto-almanaque de aproximadamente 11 anos de idade que veio logo me perguntando:

- De onde é, senhorita?

Quando respondi que era brasileira, o garoto me metralhou com informacões enciclopédicas do meu país sem ao menos tomar fôlego ao falar:

- A bandeira do Brasil tem 4 cores (verde, amarelo, azul e branco). O presidente do Brasil se chama Luis Inácio Lula da Silva. Todos o chamam de Lula. Ele tem quatro dedos em uma das mãos, etc...

A princípio, ouvi atenciosamente a "aula" do nosso pequeno e simpático peruano. Mas quando o garoto disse que Lula tinha 4 dedos em uma das mãos, não pude segurar. Tive que parar de caminhar pra recuperar as forças de tanto que eu ria sem conseguir segurar a onda. Achei engraçadíssima a tática do garoto de sair repetindo o almanaque dos países aos turistas que passavam pela praça pra ganhar um "trocado". E mais ilário ainda foi nosso jovem anfitrião ter decorado que Lula tem 4 dedos em uma das mãos e tratar essa informação como uma CURIOSIDADE do nosso país.

Eu não consegui me manter séria messssmo. E diante das minhas incontroláveis gargalhadas, o jovem garoto arregalou os olhos e me olhou de maneira espantada, com quem quisesse dizer:

- Mas qual o problema? Rsrs...
E por falar em peruanos, outra situação engraçada que vivenciei em Cusco foi o oportuno comentário de um outro jovem garoto (o Carlos) que nos apresentou a "Pedra dos doze ângulos", em uma edificação Inca. Segundo ele, aquela arquitetura era dos INCAS. A arquitetura localizada um pouco mais distante, já próxima a Praça, era dos INCA PAZES, ou seja, os ESPANHOIS. Achei magnífico o trocadilho. E pelo jeito, é uma piadinha bem conhecida entre os peruanos.


quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Rituais do dia-à-dia

É impressionante como ritualizamos nosso dia-à-dia e muitas vezes não nos damos conta disso. Diagnostiquei, dia desses, meu novo "ritual":. Não consigo acabar de lecionar e ir direto pra casa. A passagem pela sala dos profs. se tornou passagem obrigatória. Ainda que meu "expediente" tenha terminado, ainda que eu nada tenha para fazer ali naquele momento, ali eu estarei mesmo que por poucos instantes.

E muitas vezes, essas "passagens" pela nossa sala tornam-se longas por serem agradáveis.

Ali, na sala dos profs. e depois de intermináveis e às vezes exaustivas horas de trabalho, sou informada de um filme bacana que acabou de entrar em cartaz, do lançamento de um livro polêmico, de uma peça que deve ser boa mas é muito cara, do resultado do acordo entre o governo boliviano e a oposição, de quais foram as músicas cantadas pelo Vander Lee no último show, enfim... ali, os minutos de ócio pós-trabalho são férteis e agradabilíssimos.

E por falar na nossa sala (a sala dos profs.), na semana passada um colega com quem eu conversava em um intervalo de aula me indicou um conto PERFEITO. Chama-se "BOLA DE SEBO" e é de um autor francês chamado GUY DE MAUPASSANT. A forma como meu amigo descreveu o conto foi de tal maneira convincente que, assim que cheguei em casa, comprei o livro pela internet mesmo. A história de BOLA DE SEBO é interessante por revelar a hipocrisia de uma sociedade que ostenta um moralismo vaidoso mas frágil.

Recomendo "BOLA DE SEBO". A história daquela prostituta francesa lembra bastante a história da Geni, personagem da belíssima canção de Chico.