domingo, 24 de agosto de 2008

P A R A D O X O

HAVANA (JANEIRO-2007)


Ontem ouvi um comentário jornalístico interessante a respeito do desempenho das delegações participantes das Olimpíadas:

"O fracasso da economia cubana se reflete nos esportes, como revelam os resultados dos jogos de Pequim"

O apresentador (de cujo nome não me lembro) referia-se à posição ocupada por Cuba no ranking de medalhas(VIGÉSIMO OITAVO LUGAR).

Curiosa afirmação: se o fraco desempenho da delegação cubana é um reflexo dos indicadores econômicos do país, o que dizer então sobre a SUIÇA, que ocupa o TRIGÉSIMO QUARTO lugar,estando portanto 6 posições abaixo de Cuba?
Como explicar o fato de o BRASIL estar ABAIXO da ETIÓPIA no quadro de medalhas???

Como entender a posição do QUÊNIA, bastante acima do CANADÁ???

A profusão de afirmações "sem pé nem cabeça"e a avalanche de comentários levianos veiculados pela imprensa me convence cada vez mais de que o TEMPO dado a alguns jornalistas é inversamente proporcional à qualidade da informação que eles transmitem.

Pelo amor de Deus... alguém faça com que Galvão Bueno e seus discípulos falem MENOS! Rsrs...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

"Le Scaphandre et Le Papillon"


Há tempos eu não desfrutava da sorte de assistir a um filme tão espetacular como "O escafandro e a borboleta".

A produção é estadunidense e francesa e a história (baseada em fatos reais), ambientada em Paris.

Com incomparável maestria, o cineasta nos aproxima da desafiadora realidade de um deficiente físico vitimado por um AVC e que se comunica unicamente piscando um dos olhos. A lucidez de Jean-Dominique com relação à própria limitação e o diálogo que a reflexão deste personagem estabelece com o espectador tornam o filme ENCANTADOR.

Vale à pena!

domingo, 10 de agosto de 2008

Leia!


Quando me preparava para o Vestibular, enfrentei a tenebrosa e impiedosa dúvida quanto ao curso a ser escolhido. Minha dúvida era entre os cursos de HISTÓRIA e DIREITO. E essa dúvida aparentemente tão simples durou até 10 minutos antes de o prazo final para as inscrições terminasse.

Lembro-me como se fosse hoje de quando telefonei para meu primo (já estudante de História na UFMG) pedindo-o desesperadamente que me falasse um pouco a respeito do curso e da profissão do historiador. E lembro-me de que muitos minutos foram gastos naquela paciente e esclarecedora conversa. Desliguei o telefone mais encorajada a enfrentar os possíveis olhares de recriminação de todos e mergulhar de cabeça naquele antigo mas até então reprimido sonho: ESTUDAR HISTÓRIA.

E quer saber??? Nunca me arrependi do que fiz. Quando começei a minha graduação, meu primo ainda estava terminando a dele. E com frequência, ele vinha prestigiar o almoço da minha mãe. Batíamos longos papos e foi então que fui desafiada pelo Flávio a ler Sérgio Buarque e conhecer melhor o que aquele autor chamava de "homem cordial". Creio que "A morte é uma festa" eu também li por indicação do Flávio.

Lembro-me das incansáveis queixas que compartilhava com o Flávio no início da minha graduação. Muitos dos meus professores davam início à ministração das suas disciplinas partindo do pressuposto de que nós, discentes, já CONHECÍAMOS muitos dos autores por eles citados e das circunstâncias por eles mencionadas. Eu me via então perdida como acontece com quase todo mundo em início de graduação. E foi o Flávio quem me aconselhou a "correr atrás" e não ter vergonha de me debruçar sobre livros introdutórios usando-os como leituras auxiliares. E não é que deu super certo?

Enfim, se escolhi em 1999 cursar história ( e nunca me arrependi disso), muito devo ao meu primo que, bem diferentemente de mim, seguiu uma trajetória mais acadêmica (brilhante, diga-se de passagem), enquanto eu me aventurei a passar longas e incansáveis horas lecionando em Pré-Vestibular ou ensino fundamental.

Por conhecer muito bem a brilhante trajetória do Flávio e por ter tido o privilégio de ler um excelente artigo por ele escrito que resume a tese por ele desenvolvida, é que recomendo uma "visitinha" ao Café da Livraria Travessa neste dia 16/08. Eu estarei orgulhosamente por lá prestigiando o lançamento do livro "Subsistência e poder". Não porque o Flávio é meu primo: mas porque ele de fato é FERA! Confira e então verá que eu não minto!

Touro!




Perguntaram-me certa vez o motivo da minha admiração por Fidel Castro. Simples: admiro Fidel pela coerência demonstrada ao longo dos 49 anos em que esteve à frente do governo cubano. Fidel nunca afirmou ter feito uma Revolução pacífica. Fidel nunca prometeu aos seus compatriotas que sangue algum seria derramado. Mas prometeu que, após o triunfo da revolução, Cuba seria "DOS CUBANOS". E de fato FOI!


Nunca concordei com as execuções sumárias lideradas pelo governo Castro contra os dissidentes políticos. Execuções sumárias são sempre injustas, quaisquer que sejam seus autores. Nunca concordei com as prisões arbitrárias e o tratamento degradante dado aos contra-revolucionários cubanos. Nunca concordei portanto, com a totalidade das ações políticas de Fidel. Mas no "balanço" geral dos 49 anos de regime Castro em Cuba, constato a existência de mais BENEFÍCIOS do que PREJUÍSOS ao povo cubano em sua COLETIVIDADE.

Bom, sendo objetiva, por que admiro Fidel?
1) Porque seu governo logrou erradicar em menos de 2 anos o analfabetismo na ilha, vitória que país algum do nosso continente nunca alcançou.

2) Porque Fidel ousou tocar naquilo que em nosso país é intocável: O LATIFÚNDIO. Sim: em poucos anos, uma ampla reforma agrária foi levada a cabo em Cuba com ousadia e sem restrições. Nem mesmo as terras do PAI de Castro foram poupadas.

3) Porque a Revolução promoveu um elevadíssimo investimento na área da saúde fazendo surgir em Cuba numerosos hospitais e policlínicas, sobretudo, em regiões periféricas. O aceso a saúde em Cuba, deixou de ser privilégio e tornou-se DIREITO.

4) Porque o governo Castro garantiu à população rural, antes esquecida em sua miséria, acesso a escola-Não existiam escolas rurais em Cuba antes de Fidel.

5) Porque o ensino universitário foi absurdamente ampliado com a fundação de numerosas outras universidades no país. Em Cuba hoje, só não cursa uma universidade, quem NÃO DESEJA CURSAR.

6) Porque não foram poupados esforços para investimentos no campo da pesquisa, sobretudo a farmacêutica, o que fez com que Cuba, nas décadas de 60 e 80, criasse inúmeras vacinas contra várias doenças tropicais que há muito assolavam nosso continente.

7) Porque ainda hoje, Cuba "fabrica" médicos em profusão que atuam não só na ilha como em regiões "esquecidas" de nosso caótico continente. (Muitos venezuelanos voltaram a enchergar pelas mãos de oftalmologistas cubanos).


Enfim, eu poderia elencar aqui outros vários motivos pelos quais admiro Fidel que neste dia 13 de agosto, completa 82 anos de idade- diga-se de passagem, 82 bem aproveitados anos de idade.

Repito aqui o que os cubanos até bem pouco tempo atrás, repetiam desde 1959: VIVA FIDEL!


terça-feira, 15 de julho de 2008

Fabricando Che

Mausoléu de Che Guevara, para onde foram levados os restos mortais do guerrilheiro em 1997(Santa Clara-Cuba)


Museu Che Guevara - Santa Clara (Cuba)


Um homem pode morrer mais de uma vez. Não há absurdo algum nisso. Foi assim com Che.

A primeira morte de Guevara veio de um inclemente disparo boliviano. Tiro esperado. Tiro certeiro. Disparo à queima roupa que fez do pequeno e esquecido município de "La Higuras" entrar para o mapa da Bolívia.

A segunda morte de Guevara sepultou a memória desse guerrilheiro argentino. E da segunda morte de Che, somos todos cúmplices. Assassinamos a memória de Che na medida em que lançamos sobre ele os fardos de herói ou de vilão. Esvaziamos Che de seu real significado na medida em que o coroamos com adjetivos extremos. Nunca nos permitimos pensar em Che como APENAS UM HOMEM. Para a esquerda,seria no mínimo insanidade não reverenciar Che Guevara como o maior exemplo de bravura revolucionária e como o maior expoente na luta contra a desigualdade no nosso continente . Para a direita, Che não poderia ser pensado senão como um ingênuo e inconsequente guerrilheiro ou mesmo como um lunático violento e sem escrúpulos, inimigo da ordem e avesso às autoridades instituídas.

Recobrimos Che com a mortalha do exageiro e do maniqueísmo. Che foi mais que herói ou vilão.Che foi angústia (como se pode provar em seus diários na Bolívia).Che foi vaidade.Foi também convicção, paixão, ceticismo e frieza. Che não foi mocinho, bem como também não foi vilão. Deixemos essas classificações para estórias em quadrinhos ou desenhos animados.

A melhor definição que ja lí sobre Che, foi a dele próprio. Em uma carta deixada aos filhos, Che Guevara afirma ser um homem "que atua como pensa". Isso já não basta?

Uma amiga cubana certa vez, contou-me uma história sobre Che que é bem familiar entre os cubanos. Pouco tempo após o triunfo da Revolução cubana, um adolescente de 14 anos de idade foi preso por furto. O novo e revolucionário governo vinha então se revelando implacável no combate à criminalidade. Pois bem, o jovem foi imediatamente condenado à execução no paredão de fuzilamento. Quando a mãe do adolescente recebeu a notícia da pena que seria aplicada ao filho, implorou uma conversa com Che Guevara (então, ministro do novo governo). Rogou a Che que perdoasse o filho e revogasse a pena de morte. A resposta de Che foi consoladora: a pena seria anulada. Qdo a senhora suplicante, chorosa mas já um pouco aliviada se retirou da presença de Che, este determinou que o adolescente fosse executado antecipadamente com relação a data agendada, para que assim, o suplício da mãe não se prolongasse.
Essa atitude de Che nada tem de heróica aos olhos dos que prezam pelo direito a vida acima de tudo. Mas por outro lado, aos olhos dos correligionários de Fidel e Cinfuegos, a mesma atitude certamente se revela fundamental a um governo revolucionário que pretende se consolidar demonstrando força na condução de um novo regime.
Resumindo: Che certamente foi um homem que agiu segundo convicções e paixões. Mas nem todas as convicções e paixões de um homem são dignas de aplausos. Tampouco podem ser tão levianamente classificadas como heróicas ou perversas.


domingo, 29 de junho de 2008

Sobre Guimarães e sobre dias tristes...


Cada qual tem uma maneira diferente de lidar com a própria tristeza. A minha, embora estranha, me acalenta bem: gosto de ler histórias melancólicas. É assim que "faço sala" pra essa visita inconveniente que vem sempre sem convite.


Há bastante tempo atrás, saí do trabalho bem "pra baixo". Não hesitei. Fui até a livraria onde costumo sempre passar pra ver quais as novidades em títulos e de lá, passeando pelas prateleiras, liguei para a "Quel" (grande amiga e excelente professora de português). Pedi a indicação de uma "obra melancólica": "- Quero ler uma história triste, Quel. Daquelas capazes de fazer o homem mais viril e casca dura chorar".


Foi então que naquele dia, passei a ter uma relação de amor e fidelidade com "CAMPO GERAL", contida na obra MANUELZÃO E MIGUILIM, de Guimarães Rosa. De lá pra cá, sempre que estou triste, leio trechos de CAMPO GERAL. Não importa que eu já quase saiba de cor os diálogos. Me faz bem reencontrar Miguilim. Gostaria tanto que ele existisse de verdade...


E quanto à "Quel", lembro-me perfeitamente de quando fazíamos uma disciplina juntas lá na Federal.Cursávamos DIDÁTICA na mesma classe. O trabalho final da "Quel" começava com uma foto linda em que ela, ainda bebê, sorria nos braços da mãe que a deixou órfã aos 11 anos de idade. Abaixo da foto, estava uma frase que depois reconheci facilmente ao ler CAMPO GERAL. Era uma frase de Miguilim: " Mãe, por que é, pra que é que acontece tudo?" .
Foi lendo CAMPO GERAL que aprendi a amar GUIMARÃE ROSA. Nesse ano de 2008, Guimarães completaria 100 anos de idade. Ainda que não existisse "Grande Sertão: Veredas" , seria mesmo assim eternamente grata a esse exímio escritor que me deu Miguilim como amigo nas horas tristes.
"Miguilim entrou, empurrando os outros: o que feito uma loucura ele naquele momento sentiu, parecia mais uma repentina esperança. O Dito, morto, era a mesma coisa que quando vivo, Miguilim pegou na mãozinha morta dele. Soluçava de engasgar, sentia as lágrimas quentes, maiores que seus olhos. (...) Miguilim sentou no chão, num canto, chorava, não queria esbarrar de chorar, nem podi(...)"(Guimarães Rosa em CAMPO GERAL- MANUELZÃO E MIGUILIM)



" O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa,sossega e depois desinquieta.O que ela quer da gente é coragem"
(Guimarães Rosa)



quinta-feira, 26 de junho de 2008

"Sous le ciel de Paris"



Sous le ciel de Paris - Gréco Juliette

Sous le ciel de paris
s'envole une chanson
elle est née d'aujourd'hui
dans le cœur d'un garçon
sous le ciel de paris
marchent des amoureux
leur bonheur se construit
sur un air fait pour eux...