segunda-feira, 26 de abril de 2010

Vazio


Sofrer se parece com estar suspenso. A gente espera pelo repouso que não vem.
E dormir? Dormir não resolve. Chico Buarque já havia alertado: "inútil dormir que a dor não passa".

Se dormir não resolve e chorar também não (porque a angústia não sai na lágrima), como enfrentar dias cinzentos? Meu remédio é ler.

Lendo descobri que quando não há remédio pra mal do corpo, "a única coisa a fazer é tocar um tango argentino".

E foi também a literatura que me ensinou que "a gente pode ficar sempre alegre, alegre, mesmo com toda coisa ruim que acontece acontecendo. A gente deve de poder ficar então mais alegre, mais alegre, por dentro!"


Ler descansa a alma e alenta o espírito.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Filho


O FILHO QUE EU QUERO TER
Toquinho/Vinícius de Moraes

É comum a gente sonhar, eu sei, quando vem o entardecer
Pois eu também dei de sonhar um sonho lindo de morrer
Vejo um berço e nele eu me debruçar com o pranto a me correr
E assim chorando acalentar o filho que eu quero ter
Dorme, meu pequenininho, dorme que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho de tanto amor que ele tem


De repente eu vejo se transformar num menino igual à mim
Que vem correndo me beijar quando eu chegar lá de onde eu vim
Um menino sempre a me perguntar um porque que não tem fim
Um filho a quem só queira bem e a quem só diga que sim
Dorme menino levado, dorme que a vida já vem
Teu pai está muito cansado de tanta dor que ele tem


Quando a vida enfim me quiser levar pelo tanto que me deu
Sentir-lhe a barba me roçar no derradeiro bei..jo seu
E ao sentir também sua mão vedar meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz a me embalar num acalanto de adeus
Dorme meu pai sem cuidado, dorme que ao entardecer
Teu filho sonha acordado, com o filho que ele quer Ter.

sábado, 10 de abril de 2010

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Dilma


Ainda não escolhi meu candidato às eleições presidenciais deste ano. Mas já sei quem eu NÃO quero ver no Planalto: Dilma Roussef. E por dois motivos: está claro e evidente que nossa querida ex-ministra tem feito uso das inaugurações das obras do PAC para conquistar a maior parcela possível do mercado eleitoral, mesmo fazendo questão de insistir que não passa, por enquanto, de uma pré-candidata.

Nunca uma ex-ministra fez tanta questão de holofotes. Em todas as cerimônias de inauguração de obras do PAC(que tem sido muitas), dividem a cena o nosso querido presidente, e ela, a ex-guerrilheira petista. O engraçado é que não era essa a rotina. Ao longo dos vários anos de governo, nosso presidente-operário inaugurou um turbilhão de obras. E não era praxe de Lula levar Dilma à tira-colo. Só que hoje, a circunstância é diversa. O PT pretende continuar. E pra isso, vale se valer da máquina governamental pra promover determinada candidata. Vale fazer o que não se pode fazer. Aliás, no Brasil, o que é que não vale?

O segundo motivo pelo qual não quero Dilma no Planalto vem logo acima desse texto. A meu ver, admirar a gestão Aécio é não ser capaz de enchergar além da superfície. Afirmar que Aécio foi um "governador exemplar" é a mais perfeita evidência de desprezo pela sociedade mineira. Gostaria que a senhora Dilma fosse apresentada ao contra-cheque de um professor da rede ESTADUAL de ensino daqui de Minas. Ela certamente mudaria a opinião que tem com relação ao nosso ex-governador.
Gostaria que nossa simática Dilma analisasse com bastante cuidado os jornais impressos que circulam em Minas. São verdadeiros panfletos em favor do governo do estado. Como se Minas fosse o melhor lugar do mundo pra se viver. Acho que estou em Passárgada.


Bom, fui petista por um bom tempo. O PT já me encheu de orgulho. Já me deu inúmeras satisfações. Já me surpreendeu positivamente. Mas decidi que o meu voto não pode se pautar na fidelidade a um partido que não tem sido fiel ao princípio da honestidade e da defesa do trabalhador.

sábado, 27 de março de 2010

Cordialidade

Detalhe: na placa do carro, lê-se: "Carro oficial"

Foi pesquisando para preparar o curso "Um olhar múltiplo e interpretativo sobre a fonte histórica", que cheguei a essa charge। E adorei. Ela me fez lembrar o bate papo que tive com o Flávio(meu primo) sobre "o homem cordial", classificação criada por Sérgio Buarque de Hollanda para se referir ao povo brasileiro.

"No Brasil, pode dizer-se que só excepcionalmente tivemos um sistema administrativo e um corpo de funcionários puramente dedicados a interesses objetivos e fundados nesses interesses. Ao contrário, é possível acompanhar, ao longo de nossa história, o predomínio constante das vontades particulares que encontram seu ambiente próprio em círculos fechados e pouco acessíveis a uma ordenação impessoal."
Holanda, Sérgio Buarque de। Raízes do Brasil.26 ed.São Paulo: Companhia das Letras,1995, p. 146.


Se eu entendi bem o que vem a ser o "patrimonialismo", inerente a trajetória histórica e cultural do nosso país, eu o vejo nessa charge.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Morte


Dia desses assisti a uma entrevista com o ator e diretor Paulo José. Com o mesmo semblante sereno que sempre teve, Paulo José contava ao entrevistador como recebeu o diagnóstico de ser portador do mal de Parkinson. O ator contou que a trágica notícia chegou até ele na sentença apocalíptica do neurologista:

- O mal de Parkinson é uma doença progressiva, degenerativa e irreversível.

A essa tríade aparentemente trágica, Paulo José respondeu com a doçura que só a sabedoria pode dar:

- Mas a VIDA é assim!

Não houve naquele instante lágrimas nem desespero. Não houve lamúrias e nem dramas. Houve compreensão e reflexão.

E é assim que eu acho que deve ser. A degeneração é a evidência de que somos seres viventes "normais". Não há nada trágico na enfermidade. Mesmo se para ela não há cura. Eu fico com o ditado dos antigos: "O que não tem remédio, remediado está".
Adoecer é triste. Não trágico. Adoecer não é absurdo. E morrer doente também não.

Trágico mesmo é a morte que vem embalada em um acidente automobilístico estúpido. E estúpida é a morte que vem em um tiro de revólver, ou em uma rajada metralhada em uma guerra. Isso sim é trágico. Porque não está na ordem natural da existência. Porque invade um ciclo impondo o fim de algo que ainda poderia continuar existindo.

Discordo de Vandré que cantou em compasso quaternário: "a morte, o destino tudo estava fora do lugar e eu vivo pra consertar". Existem mortes inconvenientes, e outras não. Outras vêm porque senão a vida atrofia. E assim, vira morte em vida.

Bão, acho que a modernidade e seus avanços nos trouxeram a pretensão da vida eterna. Não aceitamos mais a dor, a doença, nem o fim. Mesmo sendo esse fim, tão certo quanto ele sempre foi.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Chavez


Não bastasse ser acusado de dar apoio às FARCs, o presidente Venezuelano Hugo Chavez agora é réu em outro "julgamento" . Dessa vez, os tentáculos de Chavez se mostram mais cumpridos. Chegam ao outro lado do Atlântio. A Folha de São Paulo publicou hoje (dia 3/03/2010) que Chavez é suspeito de dar apoio ao grupo separatista ETA (que luta pela total soberania do povo basco).

Sabe o que penso? Chavez tem sido tratado pela mídia e por algumas diplomacias, como o satanás é tratado por algumas igrejas pentecostais. A culpa é sempre dele. É ele quem sempre faz e acontece. Ele tem muito poder. Cuidado com ele que ele te pega. Não durma no ponto. Em cada esquina há um Chavez na espreita.

Acho que nem Chavez tem ciência de muito do que se atribui a ele.