sábado, 1 de maio de 2010


O mais gostoso de se relacionar é aprender. Perdi a conta de quanta coisa legal aprendi com meus colegas de trabalho, com meus amigos e com meus alunos.

Uma das preciosidades que aprendi a curtir foi nossa querida MAFALDA. Eu já possuía um pequeno livro com algumas tirinhas. Mas era só um livro empoeirado na estante. Mas quando a Fabíola (amiga de trabalho e de departamento) falou de seu costume de anexar tirinhas da Mafalda nos últimos slides de suas aulas, parecia já não ser mais a Fabíola falando e sim, a "marketeira oficial" da Mafaldita. Os olhos dela brilhavam. A devoção da Fabíola àquela pequenina personagem fez toda a diferença. E não é que decidi apostar?

De lá pra cá, percorro sempre alguns sites e visito sempre meu pequenino livro de tirinhas. E a Fabíola é a culpada. Foi ela quem promoveu a Mafalda, ao menos pra mim. Sei que pra Fabíola, esse incentivo foi involuntário e imperceptível. Mas o resultado do que ela involuntariamente promoveu é a prova de que a gente precisa acreditar pra convencer. E gostar, pra promover.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Vazio


Sofrer se parece com estar suspenso. A gente espera pelo repouso que não vem.
E dormir? Dormir não resolve. Chico Buarque já havia alertado: "inútil dormir que a dor não passa".

Se dormir não resolve e chorar também não (porque a angústia não sai na lágrima), como enfrentar dias cinzentos? Meu remédio é ler.

Lendo descobri que quando não há remédio pra mal do corpo, "a única coisa a fazer é tocar um tango argentino".

E foi também a literatura que me ensinou que "a gente pode ficar sempre alegre, alegre, mesmo com toda coisa ruim que acontece acontecendo. A gente deve de poder ficar então mais alegre, mais alegre, por dentro!"


Ler descansa a alma e alenta o espírito.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Filho


O FILHO QUE EU QUERO TER
Toquinho/Vinícius de Moraes

É comum a gente sonhar, eu sei, quando vem o entardecer
Pois eu também dei de sonhar um sonho lindo de morrer
Vejo um berço e nele eu me debruçar com o pranto a me correr
E assim chorando acalentar o filho que eu quero ter
Dorme, meu pequenininho, dorme que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho de tanto amor que ele tem


De repente eu vejo se transformar num menino igual à mim
Que vem correndo me beijar quando eu chegar lá de onde eu vim
Um menino sempre a me perguntar um porque que não tem fim
Um filho a quem só queira bem e a quem só diga que sim
Dorme menino levado, dorme que a vida já vem
Teu pai está muito cansado de tanta dor que ele tem


Quando a vida enfim me quiser levar pelo tanto que me deu
Sentir-lhe a barba me roçar no derradeiro bei..jo seu
E ao sentir também sua mão vedar meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz a me embalar num acalanto de adeus
Dorme meu pai sem cuidado, dorme que ao entardecer
Teu filho sonha acordado, com o filho que ele quer Ter.

sábado, 10 de abril de 2010

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Dilma


Ainda não escolhi meu candidato às eleições presidenciais deste ano. Mas já sei quem eu NÃO quero ver no Planalto: Dilma Roussef. E por dois motivos: está claro e evidente que nossa querida ex-ministra tem feito uso das inaugurações das obras do PAC para conquistar a maior parcela possível do mercado eleitoral, mesmo fazendo questão de insistir que não passa, por enquanto, de uma pré-candidata.

Nunca uma ex-ministra fez tanta questão de holofotes. Em todas as cerimônias de inauguração de obras do PAC(que tem sido muitas), dividem a cena o nosso querido presidente, e ela, a ex-guerrilheira petista. O engraçado é que não era essa a rotina. Ao longo dos vários anos de governo, nosso presidente-operário inaugurou um turbilhão de obras. E não era praxe de Lula levar Dilma à tira-colo. Só que hoje, a circunstância é diversa. O PT pretende continuar. E pra isso, vale se valer da máquina governamental pra promover determinada candidata. Vale fazer o que não se pode fazer. Aliás, no Brasil, o que é que não vale?

O segundo motivo pelo qual não quero Dilma no Planalto vem logo acima desse texto. A meu ver, admirar a gestão Aécio é não ser capaz de enchergar além da superfície. Afirmar que Aécio foi um "governador exemplar" é a mais perfeita evidência de desprezo pela sociedade mineira. Gostaria que a senhora Dilma fosse apresentada ao contra-cheque de um professor da rede ESTADUAL de ensino daqui de Minas. Ela certamente mudaria a opinião que tem com relação ao nosso ex-governador.
Gostaria que nossa simática Dilma analisasse com bastante cuidado os jornais impressos que circulam em Minas. São verdadeiros panfletos em favor do governo do estado. Como se Minas fosse o melhor lugar do mundo pra se viver. Acho que estou em Passárgada.


Bom, fui petista por um bom tempo. O PT já me encheu de orgulho. Já me deu inúmeras satisfações. Já me surpreendeu positivamente. Mas decidi que o meu voto não pode se pautar na fidelidade a um partido que não tem sido fiel ao princípio da honestidade e da defesa do trabalhador.

sábado, 27 de março de 2010

Cordialidade

Detalhe: na placa do carro, lê-se: "Carro oficial"

Foi pesquisando para preparar o curso "Um olhar múltiplo e interpretativo sobre a fonte histórica", que cheguei a essa charge। E adorei. Ela me fez lembrar o bate papo que tive com o Flávio(meu primo) sobre "o homem cordial", classificação criada por Sérgio Buarque de Hollanda para se referir ao povo brasileiro.

"No Brasil, pode dizer-se que só excepcionalmente tivemos um sistema administrativo e um corpo de funcionários puramente dedicados a interesses objetivos e fundados nesses interesses. Ao contrário, é possível acompanhar, ao longo de nossa história, o predomínio constante das vontades particulares que encontram seu ambiente próprio em círculos fechados e pouco acessíveis a uma ordenação impessoal."
Holanda, Sérgio Buarque de। Raízes do Brasil.26 ed.São Paulo: Companhia das Letras,1995, p. 146.


Se eu entendi bem o que vem a ser o "patrimonialismo", inerente a trajetória histórica e cultural do nosso país, eu o vejo nessa charge.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Morte


Dia desses assisti a uma entrevista com o ator e diretor Paulo José. Com o mesmo semblante sereno que sempre teve, Paulo José contava ao entrevistador como recebeu o diagnóstico de ser portador do mal de Parkinson. O ator contou que a trágica notícia chegou até ele na sentença apocalíptica do neurologista:

- O mal de Parkinson é uma doença progressiva, degenerativa e irreversível.

A essa tríade aparentemente trágica, Paulo José respondeu com a doçura que só a sabedoria pode dar:

- Mas a VIDA é assim!

Não houve naquele instante lágrimas nem desespero. Não houve lamúrias e nem dramas. Houve compreensão e reflexão.

E é assim que eu acho que deve ser. A degeneração é a evidência de que somos seres viventes "normais". Não há nada trágico na enfermidade. Mesmo se para ela não há cura. Eu fico com o ditado dos antigos: "O que não tem remédio, remediado está".
Adoecer é triste. Não trágico. Adoecer não é absurdo. E morrer doente também não.

Trágico mesmo é a morte que vem embalada em um acidente automobilístico estúpido. E estúpida é a morte que vem em um tiro de revólver, ou em uma rajada metralhada em uma guerra. Isso sim é trágico. Porque não está na ordem natural da existência. Porque invade um ciclo impondo o fim de algo que ainda poderia continuar existindo.

Discordo de Vandré que cantou em compasso quaternário: "a morte, o destino tudo estava fora do lugar e eu vivo pra consertar". Existem mortes inconvenientes, e outras não. Outras vêm porque senão a vida atrofia. E assim, vira morte em vida.

Bão, acho que a modernidade e seus avanços nos trouxeram a pretensão da vida eterna. Não aceitamos mais a dor, a doença, nem o fim. Mesmo sendo esse fim, tão certo quanto ele sempre foi.