quarta-feira, 28 de maio de 2008

NÃO DEIXE DE ASSISTIR!



Para quem ainda não viu, peço encarecidamente que prestigie o excelente trabalho do cineasta brasileiro Marcelo Masagão. "Nós que aqui estamos por vós esperamos" não é apenas um documentário. É uma arte tecida com critério, cuidado e extrema sensibilidade.
O filme é de 1998 e retrata o período histórico compreendido entre as duas Grandes Guerras. O mais fascinante é a opção de abordagem do cineasta. Marcelo Masagão dá vida e importância aos "anônimos" da história. Coloca em cena o jovem estudante chinês comum como outros tantos e cujo nome foi esquecido pela história. Masagão dá vida à operária inglesa cuja existência aprendemos a desprezar.
A música, absolutamente melancólica, adorna esse belíssimo filme premiado merecidamente pelo Festival de Gramado em 1999.
Confira! Você não irá se arrepender!

sexta-feira, 23 de maio de 2008

ONDE HÁ MAIS LIBERDADE?





"Esta noite, em cidades por todo o mundo, milhões de crianças dormirão nas ruas. Nenhuma delas é cubana" (Cartaz em avenida de Havana)

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Feriado Santo... Santo Paradoxo!


Vivemos em um ESTADO LAICO (sem filiação religiosa) desde 1891, mas cujo calendário ainda se mantém perfeitamente adaptado à tradição católica, como na época colonial. Eu me pergunto então: QUE LAICISAÇÃO é essa? Como um Estado pode se qualificar como LAICO se ele pára para celebrar : Corpus Christi, Nossa Senhora Aparecida, Solenidade da Mãe de Deus (1º/01), Sexta-Feira da Paixão, e uma infinidade de outros "dias santos" e se esquece dos Orixás e das divindades indígenas?


Lembremos que a mesma Constituição que declara OFICIAIS alguns desses feriados, estabelece a DEMOCRACIA como sistema político da República brasileira. Como pode haver DEMOCRACIA se uma, e apenas UMA crença religiosa é contemplada pela Magna Carta?


Não seriam os demais segmentos de fé também dignos do mesmo respeito por parte da sociedade?

Bom, sendo assumidamente OPORTUNISTA quanto a isso, proponho um novo calendário que seja a expressão do histórico sincretismo religioso do nosso país:


POSSÍVEIS NOVOS FERIADOS RELIGIOSOS BRASILEIROS:


1- Dia de Oxalá (Orixá)

2 - Dia de Ogum (Orixá)

3 - Dia de Esu (Orixá)

4 - Dia de Nanan (Orixá)

5 - Dia de Ososi (Orixá)

6 - Dia de Shiva (divindade Hindú)

7 - Dia de Vishnu (outra divindade Hindú)

8 - Dia das "Quatro nobres verdades" do BUDISMO

9 - Dia de reverência a Alá

10 - Dia de Tupã (divindade indígena)

11 - Dia de homenagem a Alan Kardec

12- Dia de Lutero

13 - Dia de Calvino

14 - Dia de Ulrico Zwinglio (protestante)

15 - Dia de Jan Huss (protestante também)

16 - Dia de Siddhartha Gautama (Buda)

17- Dia de Louis Frencescon (Pentecostalismo)

18- Dia do ateísmo (Por que não?)

19 - ...


Enfim... que todos os 365 dias do ano sejam oficializados como santos e benditos FERIADOS. VIVA O SINCRETISMO! Rs...

terça-feira, 20 de maio de 2008

ALTERIDADE



"A partir do momento em que me confiro o direito exclusivo de ter razão, usurpo uma função que compete à Divindade" (Mahatma Gandhi)





Ao ler essa frase de Gandhi, lembrei-me de uma canção cristã chamada "Clamor por Cuba", do ministério "CLAMOR PELAS NAÇÕES". Na referida, canção, faz-se uma referência ao governo cubano como um governo "frio e sem coração". Mais adiante, a canção se revela um pouco mais objetiva: "Chega de dor, chega de medo e rancor...", e "por isso nós vamos em nome de Jesus, a este país, pra mostrar que há uma esperança, Cuba pode ser feliz".

Bom, se a intenção do ministério foi a melhor possível ( e não duvido que seja) , o mesmo não se pode dizer da forma como o "Clamor pelas nações" transformou "intenção" em gesto.

Serei objetiva:

1- É no mínimo CURIOSO que um ministério que se diga CRISTÃO se entregue a JULGAMENTOS tão rasos em argumentos. Aliás, é curioso que aqueles que se apresentem como fiéis seguidores das Sagradas Escrituras se comportem de forma avessa a elas. ("Não julgueis para não serdes julgados" : o que os cristãos do "Clamor", tão disciplinados, teriam a dizer sobre isso?).
2- Na referida canção, o ministério "Clamor pelas nações" se refere ao governo de Fidel Castro como "frio e sem coração". Ora! Se esse mesmo ministério entende que o texto bíblico guarda em si a VERDADE revelada por Deus e de forma não metafórica, eis outro paradoxo: há um trecho bíblico (Romanos) em que se diz que toda autoridade debaixo dos céus foi instituída por Deus. Sendo assim, deduz-se que Fidel possui um poder que lhe foi delegado pelo próprio Deus. Como Deus, em sua infinita sabedoria e bondade, instituiria sobre uma nação um governo "FRIO E SEM CORAÇÃO" conforme diz a canção? Algum teólogo poderia me esclarecer essa icógnita?

3- O referido ministério ("Clamor pelas Nações"), na medida em que comercializa CDs em vários países do mundo e veicula essa SUPERFICIAL opinião sobre o governo cubano, priva os cristãos de conhecerem as duas faces da moeda. Transmite-se uma mensagem "mutilada" que se pretende verdadeira.

4- A vaidade e pretensão são claramente expressas na última frase da canção ("Cuba pode ser feliz"). Entendo que o ministério "Clamor pelas nações" veja a si próprio como "redentor" de um povo condenado ao sofrimento. Eu não sabia que esses cristãos possuíam um poder mágico de sondar corações. Não conhecia essa capacidade dos integrantes do "Clamor" de radiografar o estado de espírito dos 11 milhões de cubanos para assim taxá-los como "infelizes".
5- Estive em Cuba em julho de 2006 e não foi um país "infeliz" que encontrei. Tampouco um governo "frio e sem coração". Ao contrário, encontrei um país onde não há mendigos ou famintos. Um país onde o médico é que espera pelo paciente num hospital onde não há filas. Um país em que o ensino de qualidade é garantido a todos e onde se garante aos jovens o incentivo à prática esportiva. Um país em que a vocação do jovem é incentivada o que impede que este se envolva na criminalidade ou na marginalidade.
6- É prudente que se conheça Cuba, sobretudo a história cubana, antes de se tecer PREconceitos contra esta nação. Convido então o autor da infeliz canção a se debruçar sobre algumas obras como "Cuba:passado e presente"; "Y ahora Fidel?" ou "Conversasiones con Fidel". Convido o ministério "Clamor pelas nações" a ESTUDAR um pouco mais a história e a realidade cubanas para que a sabedoria possa orientar seu trabalho missionário.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Uma Alemanha sem suástica





É incrível mas também lamentável que nos entreguemos tão facilmente a PREconceitos de toda natureza. Temos uma facilidade incrível de cristalizarmos circunstâncias do passado nos tornando assim míopes àquilo que já se revela novo. Somos escravos da memória. Não que a memória seja a vilã da história, mas recorremos a ela muitas vezes de forma equivocada. A memória não deve nos tornar ferozes para com aquilo que já se transformou e que pretende se redimir.

Por esse motivo, os dias em que estive em Bamberg e Berlim foram dias de "bofetadas" de luvas... A idéia de passar um tempinho na Alemanha surgiu pelo fato de morar lá uma antiga colega de trabalho (brasileira) com quem pude me "hospedar". Devo confessar que fui receosa. "ALEMANHA" pra mim significava racismo, segregação, violência contra minorias, anti-semitismo... enfim: a Alemanha que eu esperava encontrar era aquela que estava em minha "MEMÓRIA" (memória tecida pelos livros de história).

Fiquei bastante surpreza ao constatar, ainda na estação de metrô de Nuremberg, que se não fosse a COOPERAÇÃO e até ESFORÇO por parte de alemães anônimos em nos ajudar, jamais chegaríamos ao endereço de destino. Não falo alemão e minha amiga também não. A Ivy recorreu ao inglês ("diga-se de passagem bem arrastado") para que conseguíssemos as informações necessárias. Estávamos completamente perdidas e a cada informação pacientemente fornecida caminhávamos um pouco. Creio que foram necessárias umas três abordagens: "Please, do you speak english?" . E assim, contando com a paciência desses germânicos da estação que até comunicação gestual usaram para nos auxiliar, chegamos ao destino.

Na noite em que chegamos à casa da Ana, passava um programa na TV sobre Hitler e a era nazista. A Ana, sondando minha discreta curiosidade, explicou que havíamos chegado à Alemanha exatamente no dia em que, décadas atrás, Hitler assumira o poder. E como um esforço de "redenção", o governo alemão determinou que naquela data SEMPRE fosse exibido na TV um programa a respeito do nazismo no sentido de conscientizar a sociedade alemã das atrocidades do regime. Como se fosse um programa de exortação à lembrança daquele passado cruel para que tamanha brutalidade não voltasse a existir jamais em solo alemão.

Através da Ana (sempre tão solícita e hospitaleira), aprendi também que os alemães (de maneira geral) ainda se envergonham da imagem que lhes foi impressa pelo passado nazista. Segundo a Ana, durante todo o tempo em que ela morou em Bamberg, somente durante a COPA DO MUNDO em Berlim, pôde ver alemães ostentarem a bendeira do país com um certo orgulho.


terça-feira, 13 de maio de 2008


"Temos sociólogos bons e medíocres. Uns acabam professores, outros, presidentes da República" (Betinho)



Hoje minha irmã saiu mais tarde do trabalho. Bom, o que você e eu temos com isso? Se essas horas a mais de trabalho tivessem acontecido há bastante tempo atrás, minha irmã receberia EM DINHEIRO o valor correspondente ao tempo de trabalho extra. Era "direito trabalhista". Era LEI. "Era Vargas". rs... Hoje, contudo, nenhuma empresa é mais obrigada a REMUNERAR seus funcionários pela "hora-extra" trabalhada. O direito à REMUNERAÇÃO na prática pode e tem sido substituído pelo "BANCO DE HORAS". Que seja feita a vontade do empregador! Amém!


A quem devemos essas e outras PERDAS TRABALHISTAS que jogaram por terra anos de luta da classe trabalhadora? Àquele sociólogo que, quando questionado a respeito da incoerência de suas realizações políticas com seu pensamento sociológico teve a cara de pau de responder: "esqueçam o que eu escrevi" . Bom, paremos por aqui, afinal, "O Ministério da Saúde adverte: FHC é altamente corrosivo à dignidade do trabalhador".
Fatalidade inaceitavel: a FAIXA PRESIDENCIAL e a AIDS erraram seus alvos!


domingo, 11 de maio de 2008

SOBRE MÃES MILITANTES


Quando eu cursava ainda o 1º período da faculdade, em 1999, fui informada (na própria fafich) de que haveria um evento na Assembléia Legislativa de discussão acerca dos 20 anos da ANISTIA promulgada pelo governo militar brasileiro. Lembro-me de que não pensei duas vezes: o professor de "Política" que me perdoasse. Naquela noite eu trocaria a aula pelo evento na Assembléia. Afinal, quer AULA melhor do que uma discussão daqueles que VIVERAM um período negro da "política" brasileira??? Fui à Assembléia.

Da mesa, participava uma senhora chamada CARMELA PEZZUTI (desculpem-me se errei a grafia do nome. Já faz tanto tempo...). Lembro-me um pouco da história contada por ela. Durante a ditadura, um filho (ou filha) de Carmela se engajou na luta armada contra os militares. E levantar armas contra a ditadura significava entrar pra clandestinidade. Significava não ter a certeza do "amanhã". Risco de morte à todo momento.

Carmela não hesitou: sem conseguir convencer o filho a deixar de lado aquela luta "vã", essa mãe decidiu estar perto do filho ainda que na CLANDESTINIDADE. Entrou também pra luta armada. Filho e mãe juntos na guerrilha! Quando ouvia Carmela falar, nada me convencia de que Carmela entrou pra guerrilha muito menos por convicção política do que por instinto de proteger o filho (se é que se pode proteger um filho da brutalidade da guerra). Mas mãe é assim: "estar perto" já basta quando todas as outras possibilidades de proteção se esgotam.

Deixo aqui então meu aplauso a CARMELA, essa mãe-guerrilheira de cuja história nunca vou me esquecer.


Bom, não poderia de deixar de reservar a postagem de hoje à essas mães que sendo CARMELAS ou não, são potencialmente GUERRILHEIRAS como a minha.
Tenho uma mãe que pararia um tanque de guerra por mim. Que enfrentaria um exército inteiro em meu favor. Tenho uma mãe-guerrilheira. O que mais posso querer?

Obs: O "balanço vazio" da foto é da filha com a qual eu SEMPRE sonhei. Ela chegará no momento certo tornando-me plena. Serei a pessoa mais feliz deste mundo. E ninguém entenderá o exagero da minha felicidade.


Segue uma canção linda de Chico em que ele homegageia Zuzu Angel, que teve seu filho Stuart Angel Jones assassinado pelos militares.

ANGÉLICA (Chico Buarque)

Quem é essa mulher
Que canta sempre esse estribilho?
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar
Quem é essa mulher
Que canta sempre esse lamento?
Só queria lembrar o tormento
Que fez meu filho suspirar
Quem é essa mulher
Que canta sempre o mesmo arranjo?
Só queria agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar
Quem é essa mulher
Que canta como dobra um sino?
Queria cantar por meu menino
Que ele já não pode mais cantar