quinta-feira, 15 de maio de 2008

Uma Alemanha sem suástica





É incrível mas também lamentável que nos entreguemos tão facilmente a PREconceitos de toda natureza. Temos uma facilidade incrível de cristalizarmos circunstâncias do passado nos tornando assim míopes àquilo que já se revela novo. Somos escravos da memória. Não que a memória seja a vilã da história, mas recorremos a ela muitas vezes de forma equivocada. A memória não deve nos tornar ferozes para com aquilo que já se transformou e que pretende se redimir.

Por esse motivo, os dias em que estive em Bamberg e Berlim foram dias de "bofetadas" de luvas... A idéia de passar um tempinho na Alemanha surgiu pelo fato de morar lá uma antiga colega de trabalho (brasileira) com quem pude me "hospedar". Devo confessar que fui receosa. "ALEMANHA" pra mim significava racismo, segregação, violência contra minorias, anti-semitismo... enfim: a Alemanha que eu esperava encontrar era aquela que estava em minha "MEMÓRIA" (memória tecida pelos livros de história).

Fiquei bastante surpreza ao constatar, ainda na estação de metrô de Nuremberg, que se não fosse a COOPERAÇÃO e até ESFORÇO por parte de alemães anônimos em nos ajudar, jamais chegaríamos ao endereço de destino. Não falo alemão e minha amiga também não. A Ivy recorreu ao inglês ("diga-se de passagem bem arrastado") para que conseguíssemos as informações necessárias. Estávamos completamente perdidas e a cada informação pacientemente fornecida caminhávamos um pouco. Creio que foram necessárias umas três abordagens: "Please, do you speak english?" . E assim, contando com a paciência desses germânicos da estação que até comunicação gestual usaram para nos auxiliar, chegamos ao destino.

Na noite em que chegamos à casa da Ana, passava um programa na TV sobre Hitler e a era nazista. A Ana, sondando minha discreta curiosidade, explicou que havíamos chegado à Alemanha exatamente no dia em que, décadas atrás, Hitler assumira o poder. E como um esforço de "redenção", o governo alemão determinou que naquela data SEMPRE fosse exibido na TV um programa a respeito do nazismo no sentido de conscientizar a sociedade alemã das atrocidades do regime. Como se fosse um programa de exortação à lembrança daquele passado cruel para que tamanha brutalidade não voltasse a existir jamais em solo alemão.

Através da Ana (sempre tão solícita e hospitaleira), aprendi também que os alemães (de maneira geral) ainda se envergonham da imagem que lhes foi impressa pelo passado nazista. Segundo a Ana, durante todo o tempo em que ela morou em Bamberg, somente durante a COPA DO MUNDO em Berlim, pôde ver alemães ostentarem a bendeira do país com um certo orgulho.


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