Pode haver coisa mais antipática que a ETERNIDADE? Allah me guarde de ser eterna onde quer que seja. Não vejo vantagem, muito menos boniteza no que não acaba. Pra uma coisa ser bonita, ela precisa ter um fim. Ela precisa deixar saudades. Precisa gerar a sensação da falta, do lamento pela ausência, da nostalgia do vazio.
Já parou pra pensar que 50 % das qualidades que temos nos são imputadas póstumamente. As pessoas ficam mais virtuosas quando partem. Justamente porque o fim gera a dúvida acerca do que poderia ter sido e que não foi. E do que poderia vir a ser e não será jamais. E é aí que reside a delicadeza das coisas e das pessoas. Quando alguém parte do nosso convívio, nos deixa perguntas que ecoam cortantes: "se ele estivesse aqui, agiria de outra forma"; "se ela estivesse viva, saberia lidar com essa situação". Aquele que partiu tem qualidades sobrehumanas.
Tenho uma amiga que ficou órfã de mãe na adolescência. Foi batendo longos papos com a Kel que fui apresentada ao mais perfeito afeto conjugal que já conheci. Os pais da Kel se amaram da maneira inexplicavelmente perfeita.Os olhinhos da Kel descrevendo a mãe dela eram a coisa mais terna e comovente desse mundo. Mas sei que o contar da Kel é que embeleza tudo. E embeleza tudo porque é assim que a Kel vê a mãe que partiu. A interrupção da existência é que dá outro rumo a tudo.
Fico aqui na torcida para que a eternidade não exista. Eu não a quero encontrar não. O espetáculo da vida só é bonito porque sabemos que a cortina vai se fechar.
O tédio atrelado àquilo que nunca acaba (ou demora muito a acabar) me fez lembrar uma canção do Chico e que gosto muito:
UMAS E OUTRAS
(Chico Buarque)
Já parou pra pensar que 50 % das qualidades que temos nos são imputadas póstumamente. As pessoas ficam mais virtuosas quando partem. Justamente porque o fim gera a dúvida acerca do que poderia ter sido e que não foi. E do que poderia vir a ser e não será jamais. E é aí que reside a delicadeza das coisas e das pessoas. Quando alguém parte do nosso convívio, nos deixa perguntas que ecoam cortantes: "se ele estivesse aqui, agiria de outra forma"; "se ela estivesse viva, saberia lidar com essa situação". Aquele que partiu tem qualidades sobrehumanas.
Tenho uma amiga que ficou órfã de mãe na adolescência. Foi batendo longos papos com a Kel que fui apresentada ao mais perfeito afeto conjugal que já conheci. Os pais da Kel se amaram da maneira inexplicavelmente perfeita.Os olhinhos da Kel descrevendo a mãe dela eram a coisa mais terna e comovente desse mundo. Mas sei que o contar da Kel é que embeleza tudo. E embeleza tudo porque é assim que a Kel vê a mãe que partiu. A interrupção da existência é que dá outro rumo a tudo.
Fico aqui na torcida para que a eternidade não exista. Eu não a quero encontrar não. O espetáculo da vida só é bonito porque sabemos que a cortina vai se fechar.
O tédio atrelado àquilo que nunca acaba (ou demora muito a acabar) me fez lembrar uma canção do Chico e que gosto muito:
UMAS E OUTRAS
(Chico Buarque)
Se uma nunca tem sorriso
É pra melhor se reservar
E diz que espera o paraíso
E a hora de desabafar
A vida é feita de um rosário
Que custa tanto a se acabar
Por isso às vezess ela pára
E senta um pouco pra chorar
Que dia! Nossa, pra que tanta conta
Já perdi a conta de tanto rezar
Se a outra não tem paraíso
Não dá muita importância, não
Pois já forjou o seu sorriso
E fez do mesmo profissão
A vida é sempre aquela dança
Aonde não se escolhe o par
Por isso às vezes ela cansa
E senta um pouco pra chorar
Que dia! Puxa, que vida danada
Tem tanta calçada pra se caminhar
Mas toda santa madrugada
Quando uma já sonhou com Deus
E a outra, triste namorada
Coitada, já deitou com os seus
O acaso faz com que essas duas
Que a sorte sempre separou
Se cruzem pela mesma rua
Olhando-se com a mesma dor
Que dia! Cruzes, que vida comprida
Pra que tanta vida pra gente desanimar
É pra melhor se reservar
E diz que espera o paraíso
E a hora de desabafar
A vida é feita de um rosário
Que custa tanto a se acabar
Por isso às vezess ela pára
E senta um pouco pra chorar
Que dia! Nossa, pra que tanta conta
Já perdi a conta de tanto rezar
Se a outra não tem paraíso
Não dá muita importância, não
Pois já forjou o seu sorriso
E fez do mesmo profissão
A vida é sempre aquela dança
Aonde não se escolhe o par
Por isso às vezes ela cansa
E senta um pouco pra chorar
Que dia! Puxa, que vida danada
Tem tanta calçada pra se caminhar
Mas toda santa madrugada
Quando uma já sonhou com Deus
E a outra, triste namorada
Coitada, já deitou com os seus
O acaso faz com que essas duas
Que a sorte sempre separou
Se cruzem pela mesma rua
Olhando-se com a mesma dor
Que dia! Cruzes, que vida comprida
Pra que tanta vida pra gente desanimar
Nó Ví, enquanto vc não quer a eternidade, eu corro atras dela! rsrsrsrs
ResponderExcluirÉ uma pena Vivi. Seria ótimo te encontrar lá, na eternidade. Mas, ainda assim, espero poder encontrá-la. Creio nisso. Grande abraço.
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