"Café algum é superior ao café do Brasil"
Mas não tem problema. Troco com desenvoltura e sem pensar duas vezes, um suco ultra gelado por um café bem quentinho, "passado na hora".
Como é que essa moda - a moda da devoção pelo café - pegou em terras tão escaldantes? Brasil, República Dominicana, Nicarágua e Cuba foram, durante grande período de suas histórias, grandes produtores, consumidores e exportadores de café. Os cubanos ousaram até mesmo reverenciar essa bebida mágica em linhas melódicas: quem nunca ouviu falar da clássica canção "Moliendo café" que, ao rítmo de salsa e embalada por uma percussão formidável, se espalhou mundo afora?
Mas por mais que seja hoje universal, meu fiel escudeiro nem sempre foi bem interpretado. Os maometanos, no passado, o olharam com reservas por acreditarem que a enigmática bebida era nociva à lucidez e contrária às leis do profeta Mohammed. Depois, foi a vez dos cristãos encrencarem: por ser bebida de infiéis muçulmanos, o café foi proibido aos cristãos e só obteve clemência quando o Papa Clemente o provou, gostou e aprovou.
De lá pra cá o café viajou muito. Fez amantes em todas as esquinas. E foi pretexto para encontros formais, reconciliações, discussões filosóficas e conversa fiada. Foi teimoso e se recusou a florescer em espaços que lhe foram hostis. Foi assim no Brasil. As primeiras mudas de café que aqui chegaram,vindas da Guiana, foram plantadas no Pará. Mas a planta caprichosa, cheia de vontades e dengos, deu de pirraça. E não vingou. Só aceitou funcionar quando trazida ao Vale do Paraíba.Foi a partir do Vale, que o café deu cotovelada no nosso açúcar empurrando-o para o segundo lugar na nossa pauta de exportações. Sim: no século XIX, o Brasil, que já havia sido a Terra de Santa Cruz, a terra do papagaio e a terra do açúcar, tornou-se a terra do café.
E nos empolgamos tanto, que nos excedemos. Plantávamos café no calçamento. Nas praças, nas grutas e nos alpendres. O café sofreu metástase. E ameaçou nos arruinar. Foi então que tivemos que nos esforçar para convencer os estrangeiros, de que nosso café, muito embora fosse tão café quanto qualquer outro café do planeta, era o melhor. Tarefa difícil.
Foi assim, tentando convencer o mundo a olhar para o nosso café e achar mais graça nele do que nos outros, que foram produzidas propagandas publicitárias no exterior, como essa que antecede esse meu texto.
tá bom! confesso.... sou outra viciada em café! rsrsrsrs
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