quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Pipa

Foi saltando de blog em blog que parei no blog da Pipa. E me encantei com os textos. O meu preferido é o "Adeus Margarida". A Pipa é uma blogueira de mão cheia. Nunca vi tanta habilidade em concatenar texto e imagem.

Quando Allah distribuiu os dons, entregou a Henfil a metade do dom da escrita, e à Pipa, a outra metade.

Aí está o texto ao qual me referi: o da Margarida.

Adeus Margarida

Margarida,

hoje você saiu no jornal. Não era manchete, nem foto grande de primeira página. Foi uma notinha discreta com o título de “Fatalidade”. Dizia que você era linda e alegre, mas isso não era notícia pra mim. Notícia mesmo era o que dizia de como você pegou no sono. Na banheira. E que não acordaria nunca mais.

Quando recebi a notícia pensei nas coisas que você não mais sentiria. O vento batendo no rosto. O som agradável da sua música favorita. O gosto do chocolate ao leite que você adorava. Pensei também que você não sentiria mais a água quente batendo no corpo cansado. Engraçado pensar que esta foi a ultima coisa que você sentiu. O bom é poder achar que seu corpo agora está descansado. Descansando.

Engraçado, Margarida, como as coisas são. Muita gente querendo fazer as pazes com Morfeu e criando briga com Anúbis. E você com toda delicadeza e juventude tendo que encarar os dois em algum lugar que eu quero chamar de céu. Eu sou do contra. Não quero a paz de um, nem a tormenta do outro. Quero cantar pra você que está faltando um pedacinho. E gritar que “Dona Margarida quer ensinar pra vocês as coisas simples da vida”. Não era isso que você falava?!

Foi essa lição que levei na hora de me despedir de você. Estava triste. Brava. Mas com o coração batendo num compasso três por quatro. Simplesinho. No meio do desespero de muita gente encontrei paz e força pra te levar um pouquinho de bom gosto. Entre os cravos da morte, já murchos, deixei três margaridas ainda bem dispostas e quis cantar nosso Rap. Isso porque o estranho da morte é perceber que é a gente que passa a não existir. Eu quis estar bem viva. Ou parecer.
Enchi o peito de coragem e finalizei minha homenagem: vai em paz, Margarida. E cuide do nosso jardim.
- Texto extraído do blog: http://rimasetrovoes.blogspot.com

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