domingo, 28 de fevereiro de 2010

Culturalismo

O olhar do historiador sobre a história não pode ser indiferente ao indivíduo. Não se pode focar o coletivo e grandioso e nutrir desprezo pelo micro. Da mesma maneira, o olhar do historiador precisa levar em conta que as sociedades humanas constituem não somente um aglomerado de pessoas pertencentes a classes e detentoras de interesses econômicos e políticos. Essas pessoas, é importante que se lembre, têm sonhos. Elas têm medos e expectativas. Têm incertezas. Sofrem de inconformismo ou de resignação.Sofrem de amor ou pela falta dele.

Talvez a voz que mais fortemente tem militado em favor dessa concepção de história seja a de Mary Del Priore. Adoro os textos dela. E as entrevistas também.

A história precisa levar em conta que as evidências que se revelam mais palpáveis são, na verdade, produto de estados de espírito.

A esse respeito, recomendo o filme "Nós que aqui estamos, por vós esperamos".


Eis uma citação presente no filme, e que vai ao encontro desse assunto:

"Em uma guerra, não se matam milhares de pessoas.
Mata-se alguém que adora espaguete,
outro que é gay,
outro que tem uma namorada.
Uma acumulação de pequenas memórias..."

Cristian Boltanski

2 comentários:

  1. Nossaaaaaaaaaa,depois vc vem dizer que os outros é que escrevem bem...

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  2. Bacana Vivi! Não sei se estou enganado, mas, há algum tempo seu blog não era aberto a comentários. Estou certo? Bem, de qualquer forma estou muito feliz por poder comentar em seu blog. Amo história e você é um dos ícones que leva nossa mente a ansiar mais e mais pelo "verdadeiro conhecimento", ou seja, desejar mais saber sobre a verdadeira história, os verdadeiros acontecimentos. É muito linda a história contada para os alunos no ensino médio em que alguns são taxados de heróis, quando na verdade são pessoas comuns e, muitas vezes, tremendos covardes, e outros, muitas vezes tidos como coitadinhos ou covardes, são, na verdade, os verdadeiros responsáveis por grandes mudanças históricas, sociais e culturais. Por isso falo da verdadeira história. Aquela que não ouvimos no ensino médio, cheia de fantasias. Vivi, mudando um pouco de assunto, a frase acima é maravilhosa hein? Realmente focamos sempre no macro. Morreram milhares de pessoas no Haiti, por exemplo, mas, nunca focamos nosso olhar no micro. No pai que perdeu o filho. Nas crianças que ficaram sozinhas vagando pelas ruas. Nos pais que perderam tudo, inclusive seus filhos. É, dói muito mais se pensarmos dessa forma. Um grande abraço. Continue sendo essa pessoa maravilhosa e essa professora excelente. Foi um prazer ser seu aluno e ter aulas de vez em quando com sua discípula, senhorita Paula Brum. Até breve.

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